Notas e sua Importância

Por que fazer anotações? Elas aparecem quase que naturalmente quando se escreve. Difícil encontrar um escritor que não faça notas. Em algum momento elas vão aparecer e preencher blocos e cadernos, pedaços de papel, o verso de um recibo, um saco de pão.

Na minha vida elas são uma constante, as notas. Escrevo em cadernos, em blocos, em caderninhos. E ultimamente no celular. Estou usando o bloco de notas para anotar aquelas ideias meio que relâmpagos, que cruzam os pensamentos enquanto você fita a paisagem correndo pela janela do carro ou do ônibus, tanto faz. Elas trazem ideias, flashs únicos que tiram o escritor do limbo.

Elas podem ser programadas para enriquecer seu texto. Faço muito isso, ás vezes não consigo dizer tudo na tela do computador. Em diálogos. Preciso falar mais e o papel ajuda muito, pois posso riscar, fazer setas. Isso solta a palavra.

As notas são amigas do seu texto, não deixe de fazê-las.

As Ideias de Onde Vem?

Sempre me perguntam de onde vem minhas ideias, os personagens. Não faço ideia. Muitas das minhas ideias vêm de meus sonhos. Gosto disso, porque sei que são fabricadas pelo meu inconsciente e posso confiar nelas. Mas meu cérebro é muito exigente e faminto, não posso deixa-lo ocioso, ele precisa de constante motivação. Livro, filmes, série. Isso o mantem aquecido e repleto de ideias. E todas originais. Mesmo porque escritor que não lê é um escritor menor.

As ideias também podem aparecer do nada e de olhos bem abertos, como sopros das divindades inspiradoras, as musas. E explodem em nossas mentes criativas como imagens e se encaixam exatamente como precisamos. Eu gosto de ver isso como um processo quase magico. Pois estamos lidando com a massa que move os sonhos, a fantasia.

Escrever ideias, é simplesmente maravilhoso, você está criando a partir do invisível.

Claro, existem outras maneiras de controlar as ideias. Conheço escritores que tiveram a primeira ideia sobre o manuscrito e planejaram todo o livro com base nisso, sem ter outra ideia. Porque isso varia muito.

Eu os tenho o tempo todo. Faço o planejamento, tenho ideia para onde vou, mas a jornada está repleta de novos insights e é isso que me motiva a continuar. Porque se eu souber de tudo fico com preguiça de escrever, é como ver um filme que você já viu. Chato. Gosto de escrever porque me divirto no processo.

O que sei é que está tudo lá, armazenado em algum lugar de meu subconsciente e ele vai desenrolando diante de meus olhos. E eu amo isso. Então não questiono.

O melhor é relaxar e curtir a viajem.

 

Beijos Mordidos!

 

Leituras de Janeiro – Resumão

Aqui vai a lista de todos os livros que li em janeiro de 2018. Estou fazendo esses posts com atraso, porque queria muito fazê-los no site novo.

Esse ano vou manter minha meta de leitura alinhada com meu Skoob e a minha página de resenhas no Facebook, Eu Vejo Livros.

Sem mais delongas aqui estão os livros lidos em Janeiro de 2018:

 

 

 

 

A Filha do Império – Raymond E. Feist

Sinopse

Mara, a filha mais nova da poderosa Casa dos Acoma, estava destinada a uma vida de contemplação e paz. Mas quando seu pai e seu irmão são mortos, sua vida muda de um dia para outro. Apesar do sofrimento, cabe a ela a tarefa de vestir o manto da liderança e enfrentar as dificuldades e os inimigos implacáveis. Inexperiente na arte de governar, Mara terá de recorrer a toda a sua força e astúcia para sobreviver no Jogo do Conselho, recuperar a honra da Casa dos Acoma e assegurar o futuro de sua família. Mas quando percebe que os inimigos que quase aniquilaram a sua casa vão voltar a atacar com fúria renovada, Mara só tem uma dúvida: será que ela, apenas uma mulher, ainda quase menina, poderá vencer em um jogo perigoso no qual seu pai e seu irmão falharam?

Resenha A Filha do Império

 

Inquebrável – Kami Garcia

Sinopse

“Kennedy Waters sempre achou que espíritos vingativos fossem coisa de cinema, até a morte de sua mãe. É quando os gêmeos Lockhart invadem sua casa para lhe livrar de um destino igual que descobre que o véu entre o mundo dos vivos e dos mortos é frágil. Ele deve ser protegido pelos caçadores de fantasmas da Legião da Pomba Negra, que atualmente só tem uma geração de jovens para lidar com seus inimigos, e da qual a mãe de Kennedy outrora fez parte. E agora os gêmeos devem convencê-la de que herdou o seu poder”.

Resenha – Inquebrável – Legião

 

Gravidade – Tess Gerritsen

Sinopse

A pesquisadora Emma Watson está prestes a realizar a missão mais importante de sua vida: estudar o comportamento da vida terrestre no espaço. Escolhida pela Nasa para conduzir uma série de experimentos sobre o comportamento de organismos unicelulares, a Dra. Watson logo descobre a natureza aterrorizante desses organismos e precisa correr contra o tempo para conter uma doença mortal que pode ameaçar a Terra. Tess Gerritsen se aventura no campo do desconhecido, e o resultado é este suspense que mistura, de forma brilhante, ficção científica e medicina.

Resenha – Gravidade

 

Mortos Entre Vivos – John Ajvide Lindqvist

Sinopse

“Estocolmo, Suécia, 13 de agosto de 2002. Seria mais um dia normal na capital do civilizado e pacato país com um dos melhores IDH do mundo, não fosse uma “epidemia” de cefaleia e o estranho comportamento dos aparelhos eletrônicos: eles simplesmente não desligam, mesmo quando desconectados da tomada. Prenúncio de fenômeno ainda mais extraordinário: os mortos revivem – inclusive os falecidos até alguns meses antes. De repente, eles se movem, andam, deixam as câmaras de refrigeração dos hospitais, falam (ou balbuciam algumas palavras, como crianças) e podem ser ouvidos arranhando a tampa de suas urnas funerárias, nos cemitérios. Não se trata de zumbis devoradores de cérebros e transmissores de sua condição de “nem vivo, nem morto” por meio de mordidas”.

Resenha – Mortos Entre Vivos

 

Origem – Dan Brown

Sinopse

De Onde Viemos? Para Onde Vamos? Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete “mudar para sempre o papel da ciência”. O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento… algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana. Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre. Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch. Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo. Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch… e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.

Resenha – Origem

 

Nosferatu – #Joel Hill

Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Joe Hill está se tornando um dos meus escritores favoritos, isso graças a seu talento. No início da leitura do livro Nosferatu, fiquei um pouco confusa, mais por minhas expectativas, do que pelo livro em si. Esperava outra coisa. Mas a que tinha nas mãos foi sem dúvida suficiente para me surpreender.

Fazia tempo, uns quatro meses que não me sentia enojada, revoltada e ansiosa lendo um livro. Durante a leitura de Nosferatu senti tudo isso, e até a última página eu esperei um desfecho tremendamente cruel.

A história é sobre Vic Mcquenn, uma garotinha com poderes muito especiais.  Ela consegue encontrar objetos perdidos. Mas para isso ela utiliza uma ponte. Não uma ponte tradicional, a Ponte do Atalho. Essa ponte a muito foi destruída e agora só existe por força do dom de Vic. Que pode transformar uma bicicleta Raleigh, num meio de atravessar a ponte. Ela não pode atravessá-la a pé. Eu quase a chamava de saltadora, ou viajante, mas fiquei sem saber, no fim acho que ela nasceu com esse poder para vencer um mal maior, ou seja Charles Manx.

Charles Manx é um sequestrador de crianças e pasmem, ele tem um Rolls Royce Wraith 1938, a placa do carro é sugestiva, NOS4A2 (Nos-four-ei-two). Reza a lenda, que todas as crianças que ele raptou estão na Terra do Natal.

Dizem que para todo vilão existe um super-herói, e Vic nasceu para enfrentar Manx, eles têm um dom em comum, atravessar o espaço com seus carros e pontes e ir para lugares que não existem em nossa realidade.

Claro, o diabo tem ajudantes e Charles Manx não poderia ser diferente, ele conta com a ajuda do repulsivo e medonho Bing Partridge, sempre que ele aparecia no livro me dava vontade de matar ele. O cara usa uma máscara de gás, tem a mente distorcida por ideias medonhas e cruéis. O sonho dele, apesar de ser um marmanjo, é ir para a Terra do Natal.

O encontro desses três se dá por casualidades perigosas e Vic descobre que existe muita coisa rolando além do mundo real, pena que ela não consegue lidar com isso e termina se tratando como louca. Faltou aquela coisa, “acredite em seu poder”, “foi real, aconteceu”. Seu encontro com Manx foi terrível e quase a matou.

Numas dessas viagens de Vic ela conhece uma jovem chamada Maggie, uma jovem que tem o pode de ver o futuro através de um jogo de caça palavras. Ela abre os olhos de Vic para seus poderes e para uma verdade cruel, nem todos usam tal poder para o bem, como Charles Manx, que usa o “Espectro”, o Rolls Royce, para raptar crianças.  Maggie avisa a Vic para ficar longe dele.

O livro todo é cheio de surpresas e sustos, todos bem engajados na trama assim como as referências feitas pelo autor, de suas obras e de outras.

Se você compra livro pela capa ou título, cuidado, você não vai encontrar aqui um vampiro tradicional. Manx é algo mais medonho e assustador que um vampiro sugador de sangue.

O livro concorreu ao prêmio Bram Stocker Awards, e ironicamente perdeu para um livro escrito pelo pai do autor, Stephen King, que concorreu com o livro, Doctor Sleep. Ao meu ver, ficou tudo em casa.

O livro é original, não tem clichês e surpreende na mesma medida que assusta e fere. É sem dúvida uma viagem sombria de redenção e vitorias amargas.

Minha nota? Cinco Beijos mordidos.

A Peste – #Albert Camus

Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã depois que ela é atingida por uma terrível peste. transmitida por ratos. que dizima sua população. É inegável a dimensão política deste livro. um dos mais lidos do pós-guerra. uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. A peste é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença. o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade. a solidão. a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno. O livro “A Peste” foi publicado em 1947, três anos após o fim da segunda Guerra Mundial. Esse livro rendeu ao autor o Nobel de Literatura em 1957.

Estava lendo clássicos da literatura quando esbarrei com Albert Camus, a ficha dele apontava para grandes obras, mas isso nem sempre quer dizer, que vai agradar ao leitor. Principalmente os de nossa época, tão acostumados a livros mais fáceis de ler e entender. No entanto, o livro está acessível para todos os tempos, e me arrisco em afirmar, para qualquer leitor.

A narrativa é fluida e prende o leitor pela expectativa criada em torno dos eventos, que começam a se desenrolar na pequena cidade argelina de Oran, que começa a ser invadida por ratos. Pior, agonizantes, E à medida que os ratos aparecem, pilhas deles se acumulam pela cidade. Enquanto lia ficava me perguntando quem seria o paciente Zero.Muitos afirmam que o livro é uma metáfora para a Segunda Guerra Mundial, a invasão Nazista. Pessoalmente acredito que vá além.

Logo os habitantes começaram a adoecer, o diagnóstico, peste negra. As autoridades como de costume não acreditam e quando resolvem agir a situação já está fora de controle. A cidade é fechada, ninguém entra ou sai.

Nesse ponto o livro se torna uma pintura real da humanidade em situações como essa. Enquanto lia me peguei diversas vezes refletindo sobre nossa pobreza espiritual, a fragilidade do núcleo social em que vivemos, a morte, e a vida lutando numa guerra sem vencedores. O texto de Camus é extremamente bem trabalhado, não existe excesso ou falta. Cada frase e palavra foi escrita no tempo certo, na hora exata.

Isso dá ao leitor a sensação de quase vê os eventos em sua mente, tamanha a força da construção do texto. Eu virei fã do autor e já li outros livros dele, que pretendo resenhar para o canal.

Ele, como outros autores da sua época sabia exatamente como retratar o mundo, suas misérias, e belezas. A filosofia do texto está presente nas frases do médico, que acompanhamos durante toda a narrativa.

“Visto que a ordem do mundo é regulada pela morte, talvez valha mais para Deus que não acreditemos n`Ele e que lutemos com todas as nossa forças contra a morte, sem erguer os olhos para o céu, onde Ele se cala.”

Houve momentos que chorei, talvez estivesse emotiva, mas a força do texto é real. Pois falar de mortandade, e interrogar a Deus nos cala e pode até enlouquecer com reflexões que não chegaram a uma resposta definitiva.

Um texto rico, puro, cru, que o faz pensar sobre amor, humanidade, suicídio, justiça, religião, em si mesmo.
Talvez você sinta a provocação a sua fé, seja ela qual for, e isso é bom, pensar faz bem, pois muitas vezes reforça o sim e o não. A reflexão talvez o faça acreditar ainda mais em seu Deus.

Minha nota? Cinco beijos mordidos, mais bem poderiam ser dez.

O Bicho da Seda de Robert Galbraith #LivroII

capa-o-bicho-da-sedaO Bicho da Seda de Robert Galbraith

“O detetive Cormoran Strike, protagonista de “O chamado do Cuco”, está de volta, ao lado de sua fiel assistente Robin Ellacott, no segundo livro de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling. Dessa vez, o veterano de guerra terá que solucionar o brutal assassinato de um escritor. Quando o romancista Owen Quine desaparece, sua esposa procura o detetive particular Cormoran Strike. Inicialmente, ela pensa apenas que o marido se afastou por alguns dias como fez antes e quer que Strike o encontre e o leve para casa. Mas, à medida que investiga, fica claro para Strike que há mais no sumiço de Quine do que percebe a esposa. O escrito acabara de concluir um livro retratando maldosamente quase todos que conhece. Se o romance fosse publicado, a vida deles estaria arruinada – assim, muita gente pode querer silenciá-lo. E quanto Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, torna-se uma corrida contra o tempo entender a motivação de um assassino impiedoso, diferente de qualquer outro que Strike tenha encontrado na vida”.

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Fiquei muito ansiosa para voltar ao mundo de Cormoran Strike, a tensão criada entre ele e Robin Ellacott me encheu de esperanças para um “Final Feliz”. Nessa segunda e eletrizante aventura, vamos duvidar muito da esposa do Owen Quine, no início fiquei imaginando se ela não estaria louca. Tudo nos leva a crer que sim, mas quando o corpo do marido é encontrado brutalmente assassinado ficamos nos perguntando quem ele irritou tão profundamente com seu livro.

A lista de suspeitos é grande e digamos que ele fez um texto que expõem bem todos os que dele debocharam e humilharam. A caracterização dos personagens descritos no romance, que teria sido o motivo, para seu assassinato são insultantes, mas dentro de uma realidade que somente os culpados saberão decifrar.

images7Strike terá de usar todo seu talento para chegar ao verdadeiro assassino. Vai se colocar junto com Robin na linha de tiro. O livro é realmente bom, li do principio ao fim tentando descobrir o assassino e terminei com duvidas que só fora elucidadas quando Strike me deu a ultima peça que falta. Se você ficar atento vai perceber que a pista principal aparece logo no início do livro. É um acontecimento pouco convencional e que passa sem ser percebido de imediato. Mas no final faz todo sentido.

Os detalhes da morte do escritor são minuciosos e dignos de uma mente cruel e extremamente vingativa.

Estou torcendo para que Strike e Robin fiquem juntos. No livro em nenhum momento existem indicações de que isso pode acontecer, Strike trata com o maior respeito e cuidado possível, jamais cruzou a linha, que separa as relações de trabalho que existem entre eles, mas é generoso em perceber que sua vida sem Robin seria pior. Ela é noiva, mas seu noivo é um completo “babaca”, na minha opinião. Ele castra Robin, enquanto Strike vê seu potencial. Percebo as vezes que ele não se acha suficiente para ela. O que é uma grande bobagem. Ela mantém o mesmo nível profissional, mas o modo como cuida de seu chefe as vezes deixa escapar o carinho que sente por ele

É inegável que entre eles existe uma faísca incrível. A meu ver eles se completam totalmente. Isso não é spoiler. A cena final é algo que vai jogar Cormoran Strike no centro das atenções. Bem, ele merece, é um detetive muito bom.

Minha nota para o livro? Cinco beijos mordidos!

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Ser Escritor

Ser escritor é olhar além do seu umbigo, é sangrar um pouco, dar a cara a tapa, sair da zona de conforto. Provar do inferno do paraíso. Sem fumar sentir o sabor do cigarro que seu personagem fuma. Beber do seu whisky e trepar junto com ele. Lembro-me da primeira vez que tive de matar. Matar um personagem, a cena me marcou, a forma como tudo foi planejado. A mordida, o sangue, a descrição minuciosa dos detalhes. Foi forte, me chocou, ainda era muito inocente, mas pude observar cada detalhe e aprender com aquele precioso momento. Quando o vampiro se afastou eu e ele éramos um só.Os-Grandes-Olhos-da-Imaginação

Percebi de imediato que havia construído algo diferente. A sensação era de poder absoluto e eu sabia que jamais deixaria de escrever.

A dor, as lágrimas, tudo, eu podia sentir tudo. A pesquisa, as coisas que aprendo com cada livro novo. É fascinante, viciante. As cenas de batalha, espadas, cavalos, a chuva, os mundos, cada beijo e toque. Cada ser imaginado ganha vida e passa a ser parte de quem você é. É um pacto com a imaginação.

Divido meu mundo com o dos meus personagens e até hoje escrever é parte do que sou, parte de algo maior chamado escrever como toda minha alma.

Jantando com Hannibal Lecter – Parte II – Final

0cc36b004b4b4447c4f977ad2a8557beA vida é misteriosa e os caminhos, que ela traça são como uma intrincada teia de segredos os quais devemos pelo menos tentar decifrar. Meu sonho com o personagem Hannibal Lecter ocorreu uns dias antes de vir a público que a série seria cancelada. Lamentável.

Talvez não seja compreensível gostar de um personagem como ele. Explicações demais tiram a beleza da coisa, mas podemos aprender mesmo com o que não é bom. Não estou incentivando ninguém a comer gente no sentido mais literal da coisa. E sim, aprender a reconhecer o mau. A série tem um apelo psicológico sedutor, pelo menos para quem compreende os símbolos, certos medos e dimensões da natureza humana. Escolhi ver, não gosto de ficar cega diante da humanidade, é muito perigoso não saber identificar o mau.

Três dias depois de fazer o primeiro post vi uns capítulos da primeira temporada e sonhei novamente com ele. Não tão claro quanto o primeiro, mas muito revelador.

Minha imaginação é como uma fornalha basta alimentá-la para que gere calor. Nutrida e animada aqui estou para contar a segunda parte do sonho.

Jantando com Hannibal Lecter – Parte II – Final

Recebeu-me na porta com um sorriso do tipo anfitrião satisfeito. Mostrou-me a casa, que elogiei com sinceridade. Apesar de sombria ela tinha toques modernos, frios, que mostram claramente o gosto de seu dono. A casa do bicho papão parece com o bicho papão.

Os tons quentes, os objetos, dizem claramente: aqui mora um predador. Isso me agrada até certo ponto. Sala, corredor, cozinha. E sim, o centro da casa, seu coração. Ela é parte de seu palácio mental. Aquele lugar já fora palco de muitos acontecimentos. Acho que ele percebeu o olhar, a divagação contentada.

– Tenho a impressão de que me conhece, meu mundo. Por quê?

Vestia uma camisa impecavelmente branca, calças negras, sapatos engraxados. E quando foi para detrás do balcão me perguntei se poderia tocar seu mundo?

– Foi bastante elogiado e comentado no jantar, quando fomos apresentados. Acredito que fiz algumas imagens baseadas no que ouvi. Mas nada supera a realidade.

– Me colocou no seu processo criativo?

– Sim. É como vejo tudo. – comecei a explicar, enquanto o via pegar dois cálices num dos móveis próximos. – Cada texto, página, capítulo e livro é feito de imagens.

– Está ambientada com o método de loci. – comentou me fitando atentamente. – Percebi ao ler um de seus textos, que eles são seus palácios da memória. A riqueza dos detalhes me fez perceber que estava no ambiente.

– Acredito que sim. – não estrague, tudo pensei.

– Admirável. E o que ouviu? – ele estava curioso e charmoso. Percebendo que não compreendi. – Sobre mim, o que ouviu?

Um momento delicado. Como não misturar o assassino com o profissional? Excelente cozinheiro e anfitrião, inteligente, cavalheiro, reputação impecável. Sem falar no seu apreço pela arte, música e tudo que se refira à cultura. Misterioso inclui por minha conta.

– Mas acredito, que seus talentos vão muito além. – comentei me referindo à culinária.

– Todos temos talentos ocultos. – explicou servindo o vinho nos cálices.

– Estou surpresa, acreditei que me serviria vinho branco.

Comentei observando o vinho profundamente rosé.

– Sua personalidade e presença pedem cores mais sombrias, sabores doces. Por isso escolhi o Ice Wine para servi essa noite. Esse é feito de uvas austríacas Grünner Velttiner, colhidas na primavera quando estão congeladas. A água congelada desidrata as uvas conservando todo o açúcar.

Recebi o cálice e provei incentivada por ele. Saboreei o líquido e fiz suspense.

– Arrebatador.

– Fico feliz em apresentar-lhe a novos sabores. – disse semicerrando os olhos.

– É uma das coisas boas em ser escritora, está sempre aberta a novas sensações e experiências.

– Admiro isso. – confessou ele e completou. – Na verdade ainda não me decepcionou. Pelo contrário, despertou minha curiosidade. Geralmente as mulheres tem uma tendência à cria expectativas com convites. Você não o fez.

– Explique. – pedi estendendo-lhe o cálice para que me servisse mais vinho. Algo que ele apreciou.

– O vestido negro cobre os joelhos, as meias são finas, mas não muito. Gosta de conforto, escolheu sapatos baixos, optou por ele. E não me provocar com saltos altos. – riu – Obrigada por isso, não sou do tipo que se excita com panturrilhas tensas. Usou pouco perfume, na verdade, uma colônia. Não gosta de chamar a atenção sobre si. – parou ao ver-me sorver o vinho e observá-lo por o avental com interesse.

– Vamos comer peixe, não queria estragar nosso paladar com uma fragrância artificial. – expliquei.

– Pérolas. Manteve seu anel de prata favorito. Na verdade e ele não sai mais de seu dedo. Notei quando nos conhecemos. É uma peça que estima muito. – Bela, elegante, segura, sem pretensões, exageros.

– Sem expectativas a vida se torna uma experiência baseada em escolhas. Gosto de escolher.

– Estar no controle.

– Analisando-me?

– Não pude resistir. É fascinante. Mas não como paciente. – percebendo que o olhava nos olhos. – Espero não tê-la a ofendido.

– De modo algum. O que isola o homem e cria medos é a ausência de uma boa análise. Sinto-me lisonjeada. – disse erguendo o cálice de vinho. Ele elevou o seu e bebemos.

Como prometido ele preparava salmão, gostei disso. Ele não me imporia seus “gostos” e me acompanharia. Usava as facas com maestria. Aproximei-me do balcão o observando trabalhar. O avental, a camisa dobrada. O cabelo liso bem penteado, o rosto barbeado com esmero. Ele sorveu um gole de vinho com os olhos presos nos meus e desviei a vista. Não foi algo inteligente a fazer quando um predador lhe olha.

– Posso? – perguntei observando as facas no suporte de metal.

– Deixe-me apresentá-las.

Ele se aproximou ficando as minhas costas. Pegou uma das facas e num gesto a expôs aos meus olhos. Estava entre seus braços tendo a faca como o começo e o fim daquele circulo.

– Cuidado, são muito afiadas. – murmurou junto ao meu rosto.

Toquei a lâmina em suas mãos e ele a deixou sob meus cuidados. Os olhos observadores. Havia peso e leveza, poder e terror. Aço puro, desenhado em uma única peça.

– São maravilhosas.

– Cozinha?

– Somente palavras. Sou obtusa nessa área, além disso, a sensação… ­– disse aproximando-me do salmão – Do corte – falei cortando um pedaço do peixe. – Traz-me impressões… – quis recuar, mas ele me deteve suavemente.

Colocou a mão sobre as minhas ficando atrás de mim novamente.

– Frio ou medo? – perguntou em tom baixo.

– Sou fria por natureza.

– Observei sua temperatura quando fomos apresentados. Hoje ao chegar e agora. É uma criatura rara.

Meu corpo ficou levemente tenso. Nossos rostos se refletiram na lâmina na altura do peito. O perfume dele me envolveu como seus braços, a camisa sobre minha pele fria. Ele segurava minhas mãos com prazer e o calor dele era real.

– Podemos compartilhar?

– Sim.

O contato era suave, os dedos dele conduziam os meus sobre a carne cortando fatias finas. Fazendo-me sentir a textura, o aço sob meus dedos. Percebi que ele aspirou meu perfume. Soltou-me e convidou-me a lavar as mãos. Olhei o peixe pronto para ser servido e sorri. Nos seus olhos havia um brilho misterioso.

Quando nos sentamos para apreciar o salmão, ele já havia vestido o terno impecável e negro. Serviu-me do sushi e continuamos tomando vinho. Comentou que era um jantar diferente, sem regras, só para nosso prazer. Falei sobre o livro a seu pedido e dividir com ele minhas ideias foi muito bom. Na sala, após terminarmos o jantar, ele mostrou-me alguns livros e quando nos sentamos. Sugeriu caminhos mais densos ao personagem. Foi quando começou a falar sobre morte.

– Notei que segura à faca, ou melhor, a caneta. Existem cortes necessários ao crescimento.

– Nada é simples na literatura.

– Bem sabe que é uma desculpa. Gosta de derramar sangue – disse direto – Às espadas, a mordida, o machado. – ele riu misterioso.

– Considero arriscado. – comentei sabendo do que ele falava.

– Medo de se sujar? – quis saber olhando-me com frieza – Impor limites é perigoso. Liberte seus monstros.

– Como sabe que são monstros?

Ele ergueu a sobrancelha e me observou por um minuto. Não, certamente não me achou tola. Sabia bem o que queria ouvir. E quando falou, continuava prendendo meu olhar com o seu.

– É gelada como minhas facas. Curiosa como um assassino, suave como o fio de uma navalha. Estou diante de algo feroz, disso não tenho duvidas. Liberte a fera.

Houve um minuto de silêncio contemplativo e saboroso. Dois predadores se admirando.

– É um elogio? – sussurrei.

– Devo retribuir ao seu. Não acha justo? – a frase foi dita, enquanto levava os dedos à têmpora.

– Compreende a natureza da situação?

– É como estar diante de um espelho.

– Quer compartilhar?

– Ficarei lisonjeado.

Sorvi o resto do vinho e com a unha cortei o pulso. O líquido quente preencheu o cálice. Nada mais que um gole. Aproximei-me, lhe estendi o cálice. O convite foi aceito, o sabor o dominou, fechou os olhos e eu sorri sabendo bem o que ele experimentava.

Nos seus olhos claros havia um contentamento único. E não esperei muito. Ele imitou meu gesto e o provei no mesmo cálice. Forte, vivo como nenhum outro.

– Dizem que os malvados são os que possuem o sangue mais precioso, estão certos.

– Posso dizer o mesmo do doce vinho do verão que me deu.

Ele disse fazendo um trocadilho com a música Summer Wine. Uma estranha cumplicidade se fez. O presente trocado. Meu poder corria em suas veias. Quando ele ofereceu-me o lenço, mostrei a carne cicatrizada. O vi levar meu pulso aos lábios e beijar reverente. O dele ainda sangrava e quando minha boca tocou a carne ele fechou os olhos. Podia devorá-lo. O beijo sugado, a lambida pararam o sangue. Habilidosa, cobri o corte com o lenço que me ofereceu.

– O que acha Dr. Lecter? – perguntei ao finalizar o curativo improvisado no seu pulso.

– Quase uma cirurgiã.

– Preciso ir.

– Eu sei e lamento.

Fui envolvida num abraço poderoso, que retribui. O bicho papão despedia-se e antes de me soltar beijou minha fronte.

– Volte, será sempre bem vinda.

– Sei que sim.

O jantar chegou ao fim. Sobrevivi e sai daquele doce e perigoso sonho com um pouco do monstro correndo em minhas veias. Mas certamente mais sábia e mais consciente.

Vejam esses dois textos como minha homenagem ao escritor Thomas Harris, ao personagem Hannibal, a vampira Nazarethe Fonseca, e ao ator, Mads Mikkelsen.

Lamentável que a série seja cancelada. Espero que algum outro canal a compre.

 

Eu Sou

Quando o mundo diz “Não”, você precisa ter a coragem de fazer o “Sim” possível. Os homens são medíocres em suas criações quando se prendem a limites, fronteiras, regras e modos. Quando alguém lhe disser: não é possível, duvide.

Foram com os erros e dúvidas que a humanidade avançou, e foi além da mediocridade dos homens, que sonham com pouco. Criaturas que por não compreender, pretendem apagar o que eles jamais alcançarão. É típico da natureza humana destruir aquilo que não compreende.

Nunca tive medo de cruzar barreiras, expectativas, o portão da minha casa, andar no escuro, questionar e criar o que não existia. O mundo, o universo está ao alcance da mão dos sonhadores, dos que se lançam na tempestade sem medo de se molhar, ou ser engolidos pelo oceano. Ser original é o objetivo primeiro, mesmo que recontando velhos mitos.

“Tudo posso naquele que me fortalece”. Filipenses 4:13.

Essa é uma das frases mais exatas sobre o poder interior. Cada um de nós carrega dentro de si um universo de sensações e experiências. Somos a imagem e semelhança de Deus, e é com sua criação que devemos nos alinhar, sem medo de explodir o tubo de ensaio no laboratório da vida.

Ir além do amadorismo de mentes tacanhas, pouco desenvolvidas e sem nenhum conhecimento além de seu próprio umbigo. É minha missão primeira. Alguns precisam entender sua pequenez diante da grandiosidade da criação aleia, seja ela qual for, o sol, a luz, a roda, a lâmpada, o Facebook. Esse é um caminho obrigatório para o verdadeiro conhecimento do todo.

A missão de um escritor é levar o leitor para a fora da área de conforto, mostrar-lhe mundos, culturas, mistérios e segredos que jamais imaginou existir.

Quando o homem conseguir deter um tornado, categoria F5, poderá compreender os caminhos e mecanismos da criação e da imaginação. Até lá, deve pelo menos amenizar sua ignorância.download