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Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Joe Hill está se tornando um dos meus escritores favoritos, isso graças a seu talento. No início da leitura do livro Nosferatu, fiquei um pouco confusa, mais por minhas expectativas, do que pelo livro em si. Esperava outra coisa. Mas a que tinha nas mãos foi sem dúvida suficiente para me surpreender.

Fazia tempo, uns quatro meses que não me sentia enojada, revoltada e ansiosa lendo um livro. Durante a leitura de Nosferatu senti tudo isso, e até a última página eu esperei um desfecho tremendamente cruel.

A história é sobre Vic Mcquenn, uma garotinha com poderes muito especiais.  Ela consegue encontrar objetos perdidos. Mas para isso ela utiliza uma ponte. Não uma ponte tradicional, a Ponte do Atalho. Essa ponte a muito foi destruída e agora só existe por força do dom de Vic. Que pode transformar uma bicicleta Raleigh, num meio de atravessar a ponte. Ela não pode atravessá-la a pé. Eu quase a chamava de saltadora, ou viajante, mas fiquei sem saber, no fim acho que ela nasceu com esse poder para vencer um mal maior, ou seja Charles Manx.

Charles Manx é um sequestrador de crianças e pasmem, ele tem um Rolls Royce Wraith 1938, a placa do carro é sugestiva, NOS4A2 (Nos-four-ei-two). Reza a lenda, que todas as crianças que ele raptou estão na Terra do Natal.

Dizem que para todo vilão existe um super-herói, e Vic nasceu para enfrentar Manx, eles têm um dom em comum, atravessar o espaço com seus carros e pontes e ir para lugares que não existem em nossa realidade.

Claro, o diabo tem ajudantes e Charles Manx não poderia ser diferente, ele conta com a ajuda do repulsivo e medonho Bing Partridge, sempre que ele aparecia no livro me dava vontade de matar ele. O cara usa uma máscara de gás, tem a mente distorcida por ideias medonhas e cruéis. O sonho dele, apesar de ser um marmanjo, é ir para a Terra do Natal.

O encontro desses três se dá por casualidades perigosas e Vic descobre que existe muita coisa rolando além do mundo real, pena que ela não consegue lidar com isso e termina se tratando como louca. Faltou aquela coisa, “acredite em seu poder”, “foi real, aconteceu”. Seu encontro com Manx foi terrível e quase a matou.

Numas dessas viagens de Vic ela conhece uma jovem chamada Maggie, uma jovem que tem o pode de ver o futuro através de um jogo de caça palavras. Ela abre os olhos de Vic para seus poderes e para uma verdade cruel, nem todos usam tal poder para o bem, como Charles Manx, que usa o “Espectro”, o Rolls Royce, para raptar crianças.  Maggie avisa a Vic para ficar longe dele.

O livro todo é cheio de surpresas e sustos, todos bem engajados na trama assim como as referências feitas pelo autor, de suas obras e de outras.

Se você compra livro pela capa ou título, cuidado, você não vai encontrar aqui um vampiro tradicional. Manx é algo mais medonho e assustador que um vampiro sugador de sangue.

O livro concorreu ao prêmio Bram Stocker Awards, e ironicamente perdeu para um livro escrito pelo pai do autor, Stephen King, que concorreu com o livro, Doctor Sleep. Ao meu ver, ficou tudo em casa.

O livro é original, não tem clichês e surpreende na mesma medida que assusta e fere. É sem dúvida uma viagem sombria de redenção e vitorias amargas.

Minha nota? Cinco Beijos mordidos.

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