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Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã depois que ela é atingida por uma terrível peste. transmitida por ratos. que dizima sua população. É inegável a dimensão política deste livro. um dos mais lidos do pós-guerra. uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. A peste é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença. o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade. a solidão. a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno. O livro “A Peste” foi publicado em 1947, três anos após o fim da segunda Guerra Mundial. Esse livro rendeu ao autor o Nobel de Literatura em 1957.

Estava lendo clássicos da literatura quando esbarrei com Albert Camus, a ficha dele apontava para grandes obras, mas isso nem sempre quer dizer, que vai agradar ao leitor. Principalmente os de nossa época, tão acostumados a livros mais fáceis de ler e entender. No entanto, o livro está acessível para todos os tempos, e me arrisco em afirmar, para qualquer leitor.

A narrativa é fluida e prende o leitor pela expectativa criada em torno dos eventos, que começam a se desenrolar na pequena cidade argelina de Oran, que começa a ser invadida por ratos. Pior, agonizantes, E à medida que os ratos aparecem, pilhas deles se acumulam pela cidade. Enquanto lia ficava me perguntando quem seria o paciente Zero.Muitos afirmam que o livro é uma metáfora para a Segunda Guerra Mundial, a invasão Nazista. Pessoalmente acredito que vá além.

Logo os habitantes começaram a adoecer, o diagnóstico, peste negra. As autoridades como de costume não acreditam e quando resolvem agir a situação já está fora de controle. A cidade é fechada, ninguém entra ou sai.

Nesse ponto o livro se torna uma pintura real da humanidade em situações como essa. Enquanto lia me peguei diversas vezes refletindo sobre nossa pobreza espiritual, a fragilidade do núcleo social em que vivemos, a morte, e a vida lutando numa guerra sem vencedores. O texto de Camus é extremamente bem trabalhado, não existe excesso ou falta. Cada frase e palavra foi escrita no tempo certo, na hora exata.

Isso dá ao leitor a sensação de quase vê os eventos em sua mente, tamanha a força da construção do texto. Eu virei fã do autor e já li outros livros dele, que pretendo resenhar para o canal.

Ele, como outros autores da sua época sabia exatamente como retratar o mundo, suas misérias, e belezas. A filosofia do texto está presente nas frases do médico, que acompanhamos durante toda a narrativa.

“Visto que a ordem do mundo é regulada pela morte, talvez valha mais para Deus que não acreditemos n`Ele e que lutemos com todas as nossa forças contra a morte, sem erguer os olhos para o céu, onde Ele se cala.”

Houve momentos que chorei, talvez estivesse emotiva, mas a força do texto é real. Pois falar de mortandade, e interrogar a Deus nos cala e pode até enlouquecer com reflexões que não chegaram a uma resposta definitiva.

Um texto rico, puro, cru, que o faz pensar sobre amor, humanidade, suicídio, justiça, religião, em si mesmo.
Talvez você sinta a provocação a sua fé, seja ela qual for, e isso é bom, pensar faz bem, pois muitas vezes reforça o sim e o não. A reflexão talvez o faça acreditar ainda mais em seu Deus.

Minha nota? Cinco beijos mordidos, mais bem poderiam ser dez.

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