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A volta do parafuso conta a história da jovem filha de um pároco que, iniciando-se na carreira de professora, aceita mudar-se para a propriedade de Bly, em Essex, arredores de Londres. Seu patrão é tio e tutor de duas crianças, Flora e Miles, cujos pais morreram na Índia, e deseja que a narradora (que não é nomeada) seja a governanta da casa de Bly. Ao chegar a Essex, a jovem logo percebe que duas aparições, atribuídas a antigos criados já mortos, assombram a casa. O triunfo íntimo da protagonista, mais que desvendar o mistério de Bly, consiste em vencer o silêncio imposto pela diferença de condição social entre ela e seus pequenos alunos.

Quando comecei a ler o livro meio que me senti em um vai de vem sentimentos. O texto foi criado para confundir o leitor e fazê-lo criar suas próprias teorias. Tenho as minhas, pois vi várias versões do livro para o cinema. E em todas elas fica clara a brecha para interpretações das mais diversas. O livro passa a mesma impressão. Um texto realmente interativo, por assim dizer.

O primeiro capítulo nos leva a uma reunião de amigos na noite de natal, que se divertem contando histórias de terror. Quando um deles diz ter a história mais aterrorizante que irão ouvir. Todos ficam realmente interessados e daqui em diante somos levados a história de uma jovem preceptora de 20 anos, Sra.Giddens.

Ela é contratada para ser professora de dois jovens, Miles e Flora, irmãos, que estão sob custodia do tio desde que seus pais morreram na Índia. A oferta de emprego é tentadora demais para ser recusada por uma simples filha de um pobre pároco.

O tio das crianças é um homem bonito e muito rico. Isso faz com que ele possa ditar suas próprias regras, mesmo que pouco convencionais. Como o fato de não querer contato com os sobrinhos e deixar toda a responsabilidade nas mãos da preceptora, Sra.Giddens. E pior, não desejar ser incomodado por nada que ocorra com seus sobrinhos. Ele faz parecer que quer uma pessoa para a vida toda, que se apegue as crianças, que as crie e eduque.

Com uma dessa eu já estaria de partida. Mas a proposta era tentadora demais a Sra.Giddens recusar e ela aceitou e foi para a casa de campo onde as crianças estavam vivendo em Bly.

Dá para perceber a preceptora tem boa vontade, mas o fato de ser colocada como responsável por essas crianças a colocou no olho do furacão. Ela se ligou a eles irremediavelmente ao ponto de não perceber nas entrelinhas o que realmente acontecia.

Um pouco de distanciamento, lucidez, e mais maturidade, ela teria conseguido ver todo o panorama e talvez ter conseguido um resultado final mais satisfatório.

A casa é linda, a menina Flora é encantadora, boazinha demais para ser real e foi isso que ela não percebeu, que tudo era bom demais para ser real. Seu irmão mais velho, Miles vai na mesma linha, bonzinho. Mas a carta de expulsão, e a chegada de Miles a Bly provocam na Sra.Giddens uma verdadeira confusão. Pois a as aparências enganam muito. Para piorar tudo os fantasmas começam a aparecer.

Não creio que a Sra.Giddens estivesse tendo alucinações, de modo algum, ela viu o que viu. As crianças estavam sofrendo influências exteriores de dois criados e depois de seus fantasmas. A senhorita Jessel, a ex preceptora e Peter Quint, ex mordomo da casa. Ambos morreram de modo misterioso.

A tenção é crescente e os fantasmas se divertem com ela e a fazem pensar que somente ela os vê, mas existem indícios de que eles realmente estão lá.

Na boa, Miles é um menino perigoso, que exerce uma influência perigosa sobre a irmã. O que ele fez na escola foi real e realmente digno de expulsão.

A história toda converge no fato de que duas crianças estão sendo criadas por estranhos e dando vasão aos seus instintos.

Algumas coisas me incomodaram na leitura, achei a Sra.Giddens muito afetada, se justificando, descrevendo em demasia, o que cada acontecimento causou nela. Fora isso uma boa leitura.

Minha nota, quatro beijos mordidos!

 

Henry James, Jr., OM (Nova Iorque, 15 de abril de 1843Londres, 28 de fevereiro de 1916) foi um escritor nascido nos Estados Unidos e naturalizado britânico. Uma das principais figuras do realismo na literatura do século XIX. Autor de alguns dos romances, contos e críticas literárias mais importantes da literatura de língua inglesa. Filho do teólogo Henry James Sênior e irmão do médico, filósofo e psicólogo William James.

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