vermelho-e-o-negroO livro foi lançado em 1830 e rompeu com o romantismo francês, mesmo que o autor Henri Marie Beyle, o Stendhal, se acredite um romântico. Mas o livro está mais para o realismo, sui generis que para o romance francês. Tanto que o subtítulo do livro é, Crônicas do século XIX.

O livro conta a história de Julien Sorel o filho de um serralheiro, que almeja o poder, a nobreza. É um ante-herói, que tem sorte, e usa a hipocrisia para crescer dentro de uma sociedade que odeia e despreza. Tem como herói e modelo Napoleão Bonaparte, um herói que teve glória e caiu em desgraça.

Seguindo esse modelo a coisa não poderia ir bem. A França vive o período de Restauração napoleônica. Ele tem sua grande chance quando é chamado para ser o preceptor dos filhos do prefeito Sr. Rênal da cidade fictícia de Verrières.

300px-StendhalRedandBlack04Na casa do prefeito ele tem contato com o luxo, à riqueza e com a sociedade e seus modos que tanto quer e abomina. Ele é um personagem contraditório. E essa fixação em Napoleão me lembrou de um filme chamado True Love, ou Amor a Queima Roupa, onde o mocinho vivido por Cristian Slater tem como ídolo Elvis e com ele tem diálogos e segue o que o rei faria. Assim é Julien seguindo a cartilha de Napoleão.

Inteligente, ele sabe a bíblia de cor e em latim, e se torna uma figura disputada pelos poderosos da cidade, que o desejam para ser o emblema de seu poder. Julien é um objeto de disputa, mas seu preço é alto e ninguém sabe bem qual é. Ele quer o poder total e nenhuma das propostas o seduz completamente. Deseja ser padre não por vocação, mas para atingir o poder através do cargo.

Nas primeiras 179 páginas ele cresce como preceptor, como homem, pois se envolve com a esposa do prefeito. Não por amor, mas sim por orgulho, pelo prazer de saber que aquela dama o ama. Ele não a ama, é uma paixão de ego. Mas é sem dúvida sua primeira paixão. O amor realmente fica para as mulheres.

A senhora de Rênal é mais velha que Julien e isso sempre ronda sua mente como desvantagem, ela e Julien, e todos os personagens de Stendhal estão constantemente mergulhados em pensamentos. É algo que definitivamente os carrega de tensão, e ao leitor também.

O livro se passa dentro do ambiente social, reuniões, jantares, o convívio rotineiro dos personagens e seu comportamento em sociedade conforme os costumes da época. Isso dá um ritmo constante ao livro, e até um pouco monótono.

O que sacode essas primeiras páginas é o romance de Julien e a Sra. de Rênal, e as cartas anônimas que começam a chegar as mãos do prefeito. Ponto aqui para Sra. de Rênal que é incrivelmente hábil em ludibriar o marido.

1206788-250x250Sobre as diferentes edições do livro. Tenho o livro físico da editora L&PM Pocket com tradução de Paulo Neves e o E-book com tradução de Jorge Luiz Borges, e existem diferenças. Achei a linguagem do E-book mais atual e do livro físico mais rebuscada.

Vamos ver o que vai acontecer com o resto da história. Semana que vem posto a conclusão final sobre o livro.

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