Eu Vejo Livros

108-211378-0-5-o-velho-e-o-marOlá, vamos falar de livros.

O Velho e o Mar de Ernest Hemingway, não está na lista dos Melhores Livros de Todos os Tempos, feita pela revista Bravo. Na lista estão somente os livros:

O_SOL_TAMBEM_SE_LEVANTA_1231211182PSol Também se Levanta, Ernest Hemingway, 1926

 

 

 

 

 

 

 

Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway, foto1940

No entanto eu resolvi o incluir por um simples motivo, o livro é a última grande obra do autor. Recebeu o Prêmio Pulitzer em 1952, e, dois anos mais tarde, o Nobel da Literatura. É um dos livros mais citados quando se fala em Ernest Hemingway, e em minha opinião um dos mais tristes. Uma narrativa pungente, que leva ao leitor a se isolar com o personagem principal, o Velho, Santiago, nas águas do golfo.

Antes de começar a resenha quero falar um pouco sobre o autor.

Ernest Miller Hemingway nasceu na cidade de Oak Park, Illinois em 21 de julho de 1899. Ernest gostava de estar onde as coisas estavam acontecendo. Esteve em pelo menos três guerras. Tentou se alistar quando irrompeu a primeira Guerra Mundial, mas devido a problemas de visão acabou sendo voluntario da Cruz Vermelha, dirigindo ambulâncias. Foi atingido por estilhaços e ficou hospitalizado. Em 1937 foi para Madri onde cobriu a Guerra Civil Espanhola. Em 1940 durante a Segunda Guerra Mundial ele chegou a enfrentar Nazistas. Era uma alma irrequieta e que estava constantemente buscando viver intensamente. Casou-se quatro vezes, foi pai de três filhos. Conviveu com outros grandes nomes da literatura e das artes como Zelda Fitzgerald, Luis Buñuel, Salvador Dalí, Cole Porter, T. S. Elliot, James Joyce e Pablo Picasso. Viveu seus últimos anos de vida em Ketchum, Idaho, aonde veio a se suicidar no ano de 1961.

Ernest_em_Idaho_Lloyd-Arnold_Getty

 

 

 

 

Vamos a Resenha

O Velho e o Mar

Circulo do Livro

Adquirido – Sebo Estante Virtual

Edição de 1980 – Ilustrada – Ênio Squeff

117 páginas

Estamos numa vila de pescadores perto de Havana, Santiago, ou o Velho, como é mais conhecido está há 84 dias sem nada pescar. E começou a ser considerado pelos demais pescadores como um azarado. Ele mora em uma velha cabana construída de guano, uma palmeira de madeira resistente. Pobre, viúvo, sem filhos Santiago tem por companhia um rapaz que o acompanha quando vai para o mar.

As coisas não estão bem para ele, não tem muito que comer, sem peixe não tem dinheiro. Ele gosta de beisebol, dos Yankees e gosta de ler jornais. Sonha com leões e a África onde esteve quando era mais jovem. A aventura começa quando Santiago sai para pescar e tentar a sorte. Sozinho, pois devido a sua situação atual, ninguém que lhe acompanhar com receio de ficar “Salao”, ou azarado.

Santiago apesar da simplicidade, da pouca instrução é extremamente consciente da situação do homem e o espaço que ele ocupa no mundo. Respeita as criaturas com as quais convive no mar, o seu segundo mundo. Os mata porque precisa, mas sente-se tocado com a beleza do mar e dos peixes.

A sorte lhe sorrir e um peixe pega sua isca. Bem, ai as coisas ficam complicadas. O peixe é um mistério e leva o Velho para muito longe da costa, para as águas do golfo adentro.

O isolamento, a luta com o peixe, as dificuldades, a dor, e as feridas vão levar Santiago ao limite de suas forças. Homem e animal lutando pela vida numa guerra onde ninguém sai vencedor.

Sou apaixonada pelo mar. É possivelmente o único lugar que o homem não conquistou plenamente. O Velho e o Mar nos faz pensar em nossa pequenez, em sorte e azar, no que vale a pena ser vivido, no que realmente importa.

É um livro rápido de ser lido, Ernest era um escritor de palavras diretas, de texto limpo, certeiro. Sem Mimis. Gosto muito dele e por isso o escolhi para fazer minha primeira resenha no canal Eu Vejo Livros.

Espero que tenham gostado da resenha e quem não leu ainda possa ler e se apaixonar pela obra do autor.

Gostou? Deixe seu Comentário, sua opinião é importante, e curta o Blog! Beijos mordidos!

Eu Vejo Livros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eternamente Só – Em Nome do Amor – Capítulo 4

9dabc632904e96ff0179d90bb2a13c7eQuando Jan Kmam desligou o telefone percebeu as manchas de sangue na mesinha, no dorso de sua mão. Suas lágrimas.

Estar longe de Kara não era uma escolha fácil. Por um momento desejou quebrar tudo a sua volta. Fitou a mesinha, estava pronto a despedaçá-la, quando viu o vaso com as rosas. Tocou uma delas e quase pode sentir o rosto de Kara sob seus dedos. As lágrimas por muito pouco não voltaram, respirou fundo e se afastou das rosas.

A única coisa que lhe restou, as rosas, as lembranças. A vida é cheia de escolhas, pouco importa se você é imortal, ou um simples mortal. A vida te obriga a escolher, porque ninguém pode ter tudo, é fisicamente impossível. Não havia arrependimento, só a certeza que fizera o melhor pela vampira que amava. Restou acreditar, manter-se o mais longe possível e esperar. Os sinais chegariam no tempo certo, no tempo que ela desejasse.

– O que fez com ela? Por que ela me esqueceu?

Jan Kmam perguntou a Radamés. Ele apareceu assim que acendeu a fogueira, como um inseto atraído pelo fogo. Estavam muito longe de tudo, o deserto, e a noite os envolviam. Aquela pequena luz brilhava como um pedaço de ouro sobre a areia agora fria. Ao sair do Templo da Esfinge Jan não pode sair do Egito de imediato. Simplesmente mergulhou no deserto, escondeu-se numa velha construção, que sabia existir não muito longe e passou o dia adormecido sob a areia.

Despertou sentindo uma serpente deslizar sobre seu peito. Agarrou-a e fez dela sua primeira refeição. Mais alguns ratos e saiu para a noite. Fez uma fogueira com o que encontrou e pode queimar dentro da velha tumba. Apenas se deixou ficar contemplando o fogo. Não era grande, mas bastava para iluminar as trevas que envolviam o deserto a sua volta. Podia ouvir os escorpiões, as cobras, os ratos. Homens e camelos ao sul e ao norte, a cidade não muito longe. Só conseguia pensar em Kara, no seu despertar. O modo que o olhou, não o reconheceu.

– Nada, além de mostrar o caminho de volta ao seu corpo. Trazê-la de volta não foi fácil. – começou ele a explicar. – A alma de Kara foi submetida a grandes provas. Tive medo de perdê-la diversas vezes. Ela está muito frágil agora. Precisa de tempo para se recompor – explicou Radamés sentando-se do outro lado da fogueira. – A única coisa que a manteve viva foi o amor que sente por você. Isso a manteve no relicário.

– Ela vai ficar bem? – a voz de Jan Kmam tremeu levemente.

O vampiro mais velho o olhou e percebeu a dor, seu sofrimento. Parecia prestes a explodir em lágrimas pela amante perdida, longe.

– Arrependido?

– Faria mil vezes o mesmo, caso fosse necessário. – disse muito sério, a voz cheia de firmeza.

– O que faz aqui? Todos já foram, estão em Paris. – o vampiro falou pegando um punhado de areia na mão.

Jan Kmam percebeu que a areia mudava de cor em sua palma. Tornava-se dourada como ouro. Era sua energia e poder, afinal aquele era Radamés, o vampiro que organizou o mundo vampiro há mais de dois mil anos.

– Ela vai lembrar-se de minha existência? – quis saber sentindo tentando dominar a tristeza que o cobria.

– Talvez sim, ninguém pode prever. – Radamés olhou-o nos olhos e deixou a areia escorrer de sua mão lentamente. – É preciso apenas esperar. Lembre-se de manter sua promessa.

– Acredita que a esqueceria? Que faria a vampira que amo perecer devido ao meu egoísmo?

– Você é o favorito do rei Jan Kmam. Jamais duvidei de que fosse capaz de falhar. – dizendo isso levantou e foi seguido por Jan Kmam.

– O que devo fazer agora?

– Não se enterre vivo. No deserto só vivem bem os espectros, como eu. Kara criou vários mundos para que vivessem juntos, se abrigue em um deles e espere. Confie no amor que os uniu desde sua primeira existência.

Radamés falou enquanto cobria a cabeça raspada com o manto de linho negro. Caminhou rumo à escuridão e desapareceu.

Jan Kmam fitou o fogo e por fim o apagou com um gesto. Lançou areia sobre as brasas e assim como Radamés desapareceu dentro da noite rumo à cidade.

Radamés estava certo Kara criara diversos mundos. Voltou para o apartamento que dividiam e resolveu esperar. Nada mais lhe restava. Mas preferiu ficar incógnito. Não atendeu as ligações de Bruce, de Ariel, de nenhum deles. Apenas se isolou do mundo no mundo que criou junto com sua amada. Todos os dias e noites Kara era seu primeiro e último pensamento. O motivo pelo qual continuava regando suas plantas, deixando tudo pronto para seu retorno.

Quando saia para buscar alimento bloqueava sua presença, evitando que seus sentidos a captassem. Temia correr ao seu encontro. Tudo tinha limite, e quando percebeu que ela estava lutando pelas ruas foi impossível não correr até ela. Pode sentir o ódio o dominar quando a viu cercada por vampiros e lobisomens.

O que diabos Ariel estava fazendo? Por que ela estava nas ruas sem proteção? Lutando? Estava pronto a ajudá-la quando Radamés apareceu e o segurou.

– Observe e aprenda. – disse secamente.

A luta transcorreu ágil e violenta. Durante oito minutos a vampira lutou e derrubou todos que a cercavam. Jan Kmam continha-se ao máximo, fechara os punhos ao ponto das unhas ferirem suas palmas, tamanha a tensão que sentia ao ver a vampira que amava enfrentar cinco vampiros e um lobisomem sozinha.

A espada cortava o ar e desmembrava, feria e matava. Seu corpo movia-se com exatidão, a guerreira dentro dela havia despertado e não parecia disposta a adormecer novamente.

Quando a cabeça do último caiu no chão ela tocou o flanco ferido e sangrento e arrancou a lâmina ali cravada. O sol limparia a sujeira. No fim só restaria o corpo do lobisomem. O homem voltou à forma humana. Seu coração fora arrancado por Kara e esmagado entre seus dedos. Um bom modo de matar um lobisomem sem prata. Difícil era chegar perto o suficiente e sobreviver. Bem, ela cortou seus braços e enfiou um pedaço de madeira em sua boca.

Sua crueza era assustadora. Tornara-se uma maquina de matar. O modo como lutava e matava sem hesitação… Conhecia aquele estilo, a forma como segurava a espada… Em que momento Kara havia se transformado na guerreira?

– Ela está usando todo sem potencial, sem medo, sem culpa.

– Não me parecer ser Kara. Lembrou-me a guerreira que lutou contra os Anciões. – disse Jan certo do que dizia.

– Ela agora é parte de um todo. A guerreira que combateu os Anciões está com ela, às mulheres que vieram depois dela também, a sua Valeria, Rosa Maria, e por fim, Kara, a campeã do rei, a herdeira do sangue do favorito. – completou percebendo que ele compreendia que ao voltar à vida Kara trouxera um pouco de todas as vidas que viveu.

Ela estava bem o suficiente para voltar para casa. E assim o fez, sumiu pelas ruas sem que Jan Kmam pudesse segui-la e verificar se chegaria ao Château Coucher du Soleil em segurança. Radamés o olhava e esperava por uma explicação.

– Não descumpri nosso acordo. – avisou Jan seguro.

– Mas esteve bem perto. – começou friamente – Devo vigiá-lo?

– Não será necessário. – disse Jan Kmam enfrentando o olhar arguto de Radamés.

– Deveria sair da cidade. – aconselhou o vampiro dando-lhe as costas num movimento majestoso.

Jan Kmam continuou no alto do prédio apenas fitando a noite. No coração o peso da preocupação. Quem era aquela vampira? Onde estava a sua doce amada? Aquela de sorriso gaiato, de olhos doces que se derretia com seus beijos e caricias. Não deixaria Paris, não precisava interferir, mas estaria perto.

O vampiro arrumou o casaco e saltou do prédio para sumir dentro da noite.