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Tive alguns problemas com meu notebook, instalação do Windows 10, e me atrasei com o terceiro capítulo do segundo conto das Crônicas de Alma e Sangue. Segue o conto, espero que gostem e deixem seus comentários.

 

Seu corpo e mente estavam em uma espécie de relaxamento profundo. Nunca havia recebido tanta atenção e prazer de um homem, um vampiro. Perdeu a conta de vezes que ele a levou ao orgasmo. Quis tocá-lo, e o fez, mas ele dominou o ato e simplesmente a satisfez plenamente. Encontro junto com ela um prazer intenso.

Não sabia ao certo definir, talvez fosse o longo tempo que permaneceu sem companhia no leito, ou simplesmente tocá-la deu a ele a lembrança da humanidade perdida. Sim, pois era ali com o ato, que se lembrava da batida de seu coração. Calor, a vida, os gestos, seu corpo reclamando posse e prazer.

Olhou-a sob seu corpo, e a apertou junto a si, a beijou longamente, enquanto estremecia num gozo profundo. Quando o vampiro assumiu ele fechou os olhos dilatados, os lábios para que não visse os caninos expostos. Janine o trouxe a tona com força total, seria difícil fazê-lo recuar. Tentou se afastar temendo assustá-la. Mas ela o enlaçou, beijou e ofereceu-lhe a garganta, que Ariel não recusou. Mordeu a carne macia e delicada sentindo seu cheiro. Uma mistura delicada de suor e seu perfume usual. Aquilo ia o enlouquecer.

Janine era como a composição de Tchaikovsky 1812 Overture, finale. Uma salva de canhões! A obra orquestral foi criada para comemorar o fracasso da invasão de Napoleão a Rússia em 1812. Ela é dramática, intensa, lembra uma tempestade, assim como o grande invasor foi chamado. O que surpreende nela é a salva de canhões algo inovador e que fez as plateias que a ouviram sentir o terror do campo de batalha.

Ali, sobre o corpo daquela mulher Ariel Simon sentiu a força daquela peça sobre seus sentidos. Os tiros de canhões soavam em seus ouvidos.

Quando ele afastou as presas, a boca, a viu lânguida no leito, pálida. Teve medo de tê-la levado a morte. Somente quando ela sorriu num estado de êxtase profundo ele relaxou e deixou-se cair sobre ela também sorrindo.

Lambeu a carne ferida, buscou seus lábios e a fez provar do sabor de seu sangue. Docemente ela o abraçou, acariciou suas costas, enquanto beijava seu peito e rosto. Ficou com ela em seus braços sentindo seus carinhos. O sangue o alimentando, dando-lhe paz. Tudo ficou lento, muito lento. Janine adormeceu. Ariel a beijou e deixou-se levar pelo sono. Só muito depois despertariam daquela tempestade de prazer. Venceu algo ou alguma coisa, mais não sabia bem o que era. Talvez o medo de entregar-se plenamente.

Durante o dia ela despertou com fome O rei pegou o telefone e fez uma chamada para a cozinha. Minutos depois uma leve campainha tocou, Ariel foi até uma das tapeçarias que decoravam sua câmara e desvendou uma porta. Ele mesmo trouxe o carrinho dando a eles privacidade. O rei ficou sentado na cama a observando comer. Em dado momento a alimentou com frutas e desejou poder comer junto com ela. Mas eventualmente beijava-lhe a boca sentindo o sabor das uvas, dos morangos que ela escolheu comer. Satisfeita ela se sentiu sonolenta ajeitaram-se no leito e agarrada ao corpo do rei e mergulhou num sono restaurador do qual só despertaram quase ao anoitecer.

O riso, as gargalhadas de Janine preenchiam a câmara do rei, enquanto ele corria atrás dela. Simulavam a captura de um vampiro, mas estava óbvio que era apenas um jogo de amor. Quando ele a capturou jogou-a sobre o ombro e a levou para o leito onde a atacou fazendo-lhe cócegas. A brincadeira ficou mais lenta, quando ele a beijou e puxou-a sob seu corpo faminto de prazer. Tomou-a com carinho e fome, enquanto sussurrava e gemia seu nome livremente, agora que se sentia mais a vontade na presença de Ariel.

Faltavam somente duas horas para o anoitecer. Ariel poderia estar trabalhando, mas preferiu ficar no leito desfrutando um pouco mais da companhia de sua enfermeira. Falaram de livros, musicas, das decisões difíceis que tinha de tomar como rei. Parou de falar subitamente e disse:

– Vem, quero dançar.

Ariel saiu do leito elevando Janine com ele. Ela buscou seu roupão, mas ele andava nu como um colosso por seus domínios sem se importar. Foi até o computador e procurou um vídeo no youtube, logo as imagens e o som da música da banda Simply Red invadiu a câmara real. A melodia fez Janine sorrir.

– My Night Nurse.

Ele a puxou para si e a conduzia no som do reggae. Cantava junto ao seu ouvido, envolvendo-a, enquanto ela sorria e seguia seus passos. Ele a ensinou a se mover e logo conseguiram seguir o ritmo. As mãos passeavam por seu corpo delicado sob a seda de um de seus roupões, que ela vestiu. Ela sentiu sua excitação e o beijou longamente.

Magnífico. Isso deveria bastar para descrever Ariel Simon, o rei dos vampiros, mas havia u pouco mais. Ele era sedutor, engraçado, sedutor, inventivo. Parecia ter o compromisso de não se repetir mesmo quando em pleno ato, sexual. Mas mantinha um ritual delicado de beijar e prender todo seu. Muito ficou claro, a lista de espera, por apenas alguns minutos em sua companhia, o modo que ele as evitava e se isolava, sim, ele era de certo modo recluso. Uma criatura milenar e eternamente só.

Segurou seu rosto entre as mãos e o beijou longamente e o puxou pela mão rumo ao leito. Assumiu o controle, o tocou, beijou seu corpo e também o fez gemer alto, quando as carícias desceram de seu peito e se prenderam em seu sexo. Ela o levou ao limite e quando ele atingiu o orgasmo avançou sobre ela e faminto, quase selvagem mordeu o seio farto e sorveu o sangue quente, rico. Aquela jovem havia despertado nele grande desejo e fome. Teve de se conter, afastar-se, enquanto ela gemia sob suas demandas. Temeu exauri-la. Mas Janine não parecia exaurida, na verdade demonstrava a mesma fome e desejo. Bem, como Pacificadora ela provou de seu sangue na cerimônia de iniciação e sobreviveu. Talvez por isso o seguisse sem reservas. Contudo não queria arriscar fazer-lhe algum mal. Quando ela aconchegou-se a ele no leito, lânguida e sonolenta. Estava exaurida e com razão, ele exagerou. Ariel mordeu a ponta do dedo e deixou que as gotas caíssem sobre seus lábios. Ela abriu os olhos e os fixou nos dele, enquanto sugava-lhe o dedo com fome. Janine recuperou o tom rosado da pele que estava pálida e percebeu o ânimo voltar, a sonolência desapareceu. Não haveria mudanças, ela fora Pacificadora e já provara antes de seu sangue.

A noite havia chegado, Ariel a levou para sua banheira e lá banhou seu corpo mimando-a. Ele podia fazer aquilo por dias e noites, e nunca se cansar. Janine se entregava em cada carícia e gozo. Libertava uma mulher que desconhecia, mas que ia manter bem viva de agora em diante.

Vestiram-se, e quando ela estava pronta para partir o rei a segurou e falou:

– Quero vê-la novamente.

– Não posso. – disse preocupada – Togo me avisou que jamais voltaria ao seu leito majestade. Apenas deixe que me despeça. – pediu tocando seu rosto.

– Ariel, meu nome aqui é Ariel. – disse segurando sua mão. – Quero que volte amanhã à noite, quando terminar de ajudar na enfermaria. Vamos jantar fora. – disse tomando-lhe a mão delicada para beijar.

– Togo avisou-me…

– Sou seu rei, esqueceu? – disse paciente com ela, mas dando mostras de estar aborrecido.

– Não, mas…

– Agora vá Janine.

Beijou-a nos lábios e a libertou para que partisse. A queria, e a teria quantas vezes desejasse. Estava cansado de ter Togo como vigia de seu leito. Furioso arremessou o cálice de vinho vazio na lareira.

Quando os criados entraram e passaram a cuidar da arrumação do quarto, percebeu que eles apagavam as marcas dos bons momentos ali vividos. Sorveu um cálice de sangue e os observou em silêncio sombrio.

Vestido e pronto para as audiências o rei estava satisfeito, mas taciturno. Togo nada perguntou, mas tirou suas próprias conclusões. A noite foi cheia. E seu ânimo só melhorou quando Kara apareceu na sala de audiências.

A campeã do rei prestou esclarecimentos sobre sua busca a Górki. Ela relatou sobre suas vítimas e seguidores. E como o matou na construção. Sua caçada foi considerada um sucesso e o caso encerrado. Nenhuma acusação foi dirigida a ela pelos vampiros que seguiam Górki e que por ela foram mortos.

– O que vai acontecer com as meninas tocadas por Górki.

– Serão entregues ao Livro.

– O que isso significa? – a vampira quis saber.

A sala não estava cheia, pelo menos não com desconhecidos. No salão estavam Romano, representando os Lordes, Valdés, Misha, Tiago e Togo. A maioria dos casos em julgamento aquela noite já haviam sido resolvidos e os envolvidos deixado o salão.

– Os Anciões acharam por bem mantê-las com eles. – disse Romano entendendo a preocupação de Kara.

– Vão viver com eles? – quis saber incrédula.

– Sim. – o rei afirmou seguro.

– Mas são apenas meninas. Aquele lugar é… Vazio e desolado. – disse lembrando-se dos corredores do Templo.

– Elas terão carinho e proteção e estarão vivas. É isso ou a morte. – disse o rei. Ordália e as demais anciãs gostaram da ideia de tê-las com elas.

– Quando irão? – quis saber temendo tê-las perdido.

– Amanhã, caso deseje se despedir delas aconselho que faça essa noite. – Togo respondeu passando-lhe um pergaminho para que assinasse.

Era sobre a caçada de Górki, mais um para sua lista de feitos. Kara assinou e sem mais nada a dizer pediu licença e saiu educadamente do salão. Aquelas meninas precisavam de mais, mas como lhes oferecer algo que não saberiam controlar? No mundo exterior teriam de viver sob vigilância e isso não representaria segurança, ou evitaria, que se envolvessem em problemas. Eram tão jovens. ­– pensou lamentando. – O tempo era como um convento de freiras. Sentiu-se incapaz de encará-las. Saiu e fez compras para elas. Alguns brinquedos, roupas e livros.

As visitou e brincou com elas por algum tempo sob a supervisão de uma Pacificadora. Elas não sabiam que iriam para o Templo e Kara não revelou. Temiam que não compreendessem e fugissem. Os anciões saberiam como lidar com elas.

Arrasada Kara saiu do quarto e foi se refugiar na ala oeste do château. O coração doeu, bateu e a cada uma das batidas a fazia fraquejar. Caiu no chão e foi sacudida por uma onde de lembranças. Jan Kmam a envolvendo nos braços, pedindo desculpas. Ela havia deixado de falar e dormir com ele por cinco dias e noites. As sensações, seu toque… Arquejou e gemeu de dor. Minutos depois quando se ergueu do chão sentou em um dos parapeitos de mármore e se deixou fitar a noite. Estava tão mergulhada nas emoções e sensações, que não viu o rei chegar.

– Elas serão bem tratadas pelos anciões, acredito que eles as mimarão. – comentou sentando-se a sua frente, mas a uma distância respeitável.

– Acredito que sim. Se pudesse as manteria comigo, mas acho que não sou alguém muito confiável. – deixou sair dos lábios um de seus medos.

– Acredite-me, seria uma boa tutora, ou melhor, uma boa mãe. Mas elas precisam de um ambiente mais controlado. Isso elas só terão no Templo.

Ele a viu secar uma lágrima. Algo a atormentava profundamente. Não era somente sobre a decisão do Livro, havia algo mais a incomodando, conhecia-a bem, sabia reconhecer os sinais.

– O que há de errado Kara?

– Talvez houvesse sido melhor para todos que eu houvesse morrido. – sussurrou mantendo a voz o mais controlada possível.

– Do que está falando? – quis saber indignado.

Kara se lembrava do olhar, aquele último olhar a marcou. No seu íntimo jamais esqueceu a dor naquela retina azul. O modo como se afastou dela sem nada dizer. O seu silêncio, o que ele disse ao partir? Nada. Parecia ter nojo dela.

– Por que ele foi embora?

Depois de olhar os olhos grandes e negros cheios de lágrimas Ariel respondeu num suspiro cansado.

– Não sei Kara. Por que não o procura e tenta descobrir a verdade? – sugeriu tomando sua mão delicada entre as suas.

– Fiz algo de errado para com ele? Diga-me a verdade, por favor.

As perguntas eram legitimas, havia tristeza, dor, e curiosidade. Ela secou as lágrimas com as costas das mãos. O olhar ficava vago como se lembrasse de sua partida. Tão forte e tão frágil.

– Ele me abandonou, não foi? Por isso me emancipou. Para que não sofresse a desonra de ser tutelada pelos Poderes, por qualquer vampiro que quisesse a pupila de seu favorito. – ela ligou os fatos e viu sua real situação.

– Sim e não. Você é preciosa demais para ser tutelada. Forte demais para ainda necessitar de um mestre. Mas agora observando suas lágrimas me pergunto se estava errado. Talvez ainda precise de um mestre…

– Não. – disse seca e rápida.

Um mestre a prenderia iria tirar sua liberdade. Eles sabiam disso.

– Eu só queria saber por que fui abandonada.

– Estão longe há quase cinco meses, acho que é hora de resolverem essa questão.

Dizendo isso o rei pegou seu celular e fez uma ligação. Kara arregalou os olhos e depois se conteve virando o rosto, não esperava por aquela reação tão imediata. O rei estava quase desligando quando a voz de Jan Kmam se fez ouvir.

– Majestade.

– Caro amigo.

O rei iniciou um diálogo informal com o vampiro, que respondia com tranquilidade e segurança. Kara ouvia a conversa e reconhecia sua voz. Ela era tão familiar, poderia dormir ouvindo sua voz.

– Não vai perguntar por ela? – provocou suavemente o rei.

– Sei que vossa majestade e Bruce estão cuidando bem dela. – a voz continuava segura, mas havia um tremor leve de tristeza, nada que um mortal ouvisse, entretanto, um vampiro, sim.

– Ela faz perguntas – começou Ariel cuidadoso – Uma delas é o motivo pelo qual a deixou?

– Ela recuperou suas lembranças? – houve esperança.

O rei olhou a vampira atenta a ligação e muda, ao seu lado. Quando ela balançou a cabeça negativamente. O rei suspirou e respondeu.

– Não. Só fica confusa por ter sido…

– Existem muitas coisas que não posso explicar… Mas ela precisa crescer Ariel… Ela precisa ser livre, entende? – a voz tremeu.

Jan fechou o punho e conteve o soluço na garganta. Não ia chorar!

– Compreendo, ela é uma força da natureza por assim dizer. – confessou Ariel a elogiando.

– É só isso majestade? – a voz estava fria, dura.

– Sim, Jan só isso.

O telefone ficou mudo. O rei desligou o aparelho e viu a vampira ficar de pé. Ele a segurou e a puxou para seu abraço. Ela soluçou aflita.

– Eu não sei por que estou chorando. – gemeu agarrada ao rei.

– Está se sentindo sozinha é natural chorar. Quer ficar comigo essa noite? Podemos ver um filme, pode dormir na minha cama, eu durmo no divã…

– Obrigada. – disse ainda com a cabeça em seu peito.

– Amanhã vou te apresentar uma jovem vampira, ela se chama Isadora e vocês têm muito em comum.

Naquela manhã Kara entrou na câmara do rei. Buscou o leito e em pouco tempo dormia profundamente, como se estivesse muito cansada. Apenas deitou a cabeça no ombro do rei, a mão sobre seu peito. Ele a abraçou forte e assim ficaram.

Ali, nos braços do rei, Kara sequer sabia o que aquela separação custava ao vampiro que lhe deu a imortalidade. Jan Kmam estava em Paris, mas evitando tudo e todos. Havia soltado o celular sobre a mesinha. Os punhos estavam fechados, as unhas ferindo sua carne. As lágrimas de sangue caiam sobre a madeira polida. Curvou-se sobre si mesmo e deixou a dor o inundar. Vivia uma noite de cada vez, mas cada uma delas sem a presença de sua amada lhe custava um pedaço de seu coração e imortalidade.

 

 

 

 

 

 

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