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camaDesde seu nascimento para a imortalidade Kara se mostrou única. Chegou mesmo a ser elogiada pelos Caçadores e a Ouroboros. Bem, não era a primeira vez. No passado eles a salvaram da mordida de um lobisomem por admirar sua bravura.

O que Kara não revelou a Bruce foi que as lembranças lhe traziam confusão. Não sabia como lidar com os sentimentos que a dominavam. Algumas lembranças lhe provocavam lentidão e dor. Dor física, mas precisamente as que envolviam Jan Kmam. Pela primeira vez estava morta. Talvez isso a confundisse. Seu antigo mestre nada mais significava para ela. Era apenas um nome no passado. O vampiro que a olhou e partiu sem se importar se estava bem ou não.

Cinco dias depois, na noite do temporal Ariel temeu por sua vida. Um estranho pressentimento o assaltou. Estava ligado a ela, sempre estaria pelo sangue e amor. Saiu no meio do temporal e pediu um carro de apoio. O coração estava apertado no peito. Cidade parecia deserta, as luzes fracas debaixo do chuvisco fino tentavam varrer a escuridão e estragos causados pelo temporal.

Seus instintos e a força do sangue de Kara em suas veias o guiaram para a periferia. Prédios abandonados, alguns em construção. A destruição era grande. Material e lixo espalhados pelo canteiro de obras e cheiro de sangue. Logo encontrou os corpos decapitados caídos em possas de sangue e água. Aliados de Górki. Ela estava por perto agindo como anjo da morte. Isso o incomodava, matar tantos de sua espécie tinha um preço. Temia que tudo aquele derramamento de sangue a chocasse de algum modo.

Possivelmente ela era a vampira mais estranha e perturbadora que já teve o privilégio de conhecer e amar.

Nos últimos tempos vinha se isolando. Um par de vezes a encontrou na ala oeste do château. Era pouco usada e tinha acesso ao jardim por meio de um corredor de arcos.

Sentava entre os arcos de pedra e fitava a noite, o fosso, a vida noturna de insetos, ratos, morcegos, animais no bosque. Por vezes tocando o anel de pedra azul no dedo, que nunca tirava. Entregue a divagações, o rosto às vezes nostálgico, ou triste, nenhuma lágrima, só frieza e o silêncio.

Estaria em seus lábios o sabor da saudade do sangue de seu mestre? Jan Kmam teria voltado a sua mente e coração?

A chuva diminuiu e a noite avançou fresca e doce. Kara no alto do prédio procurando o resto de seus inimigos. Eles estavam a poucos metros, no prédio vizinho. Perto demais! Saltou e evitou ser alvejada por uma rajada de balas.

Três, que boa soma. Havia morto cinco deles, mas eles pareciam se multiplicar bem depressa. Respirou fundo e usando toda sua rapidez correu entre os vampiros e os desarmou. Pescoços e braços cortados. A espada banhada em sangue a fazia sorrir. Quando lutava sentia-se viva e plena. O sangue em suas veias era algo de muito poderoso.

Ela usava muito bem os dons recebidos de seu mestre. Mas seu alvo estava fugindo agora. Escalou as paredes seguindo o vampiro responsável pelo rapto das adolescentes. O caminho que fazia era de fuga e talvez para um cômodo secreto.

Colada à parede Kara esperou. Não olhou para baixo apenas saltou. A pequena abertura a acolheu como um abismo. Ela se viu dentro de um quartinho. Escondeu-se nas sombras e ouviu soluços, corações batendo.

Duas meninas presas em uma cela de grades de ferro. Ainda humanas, mas drenadas. Andou pelo espaço apertado e sentiu cheiro de urina e vômito. Abriu a cela e constatou que as jovens estavam drogadas, ele deu-lhes absinto. Certamente para que ficassem quietas.

Podiam ser salvas ainda, pensou. Quando sentiu a arma em sua cabeça sorriu. Voltou-se lentamente e enfrentou o vampiro.

– Górki como vai? – ela quis saber sem nenhum temor.

– Melhor que você vadia. – rugiu ele atingindo seu rosto com a arma.

Kara virou o rosto com o impacto e sentiu gosto de sangue na boca. Mas logo depois voltou a encarar o vampiro.

Aquela não era a primeira vez que se encontravam. Górki realmente parecia um astro teen. Loiro, olhos verdes, bonito como um anjo. Ela notou sua admiração, o modo como a olhava quando compreendeu quem ela era. Mas não se deixou comover pela aparente juventude e ar inocente. Detrás daquele sorriso de anjo estava um assassino frio que vinha destruindo sonhos.

– É a campeã do rei.

Ele fez a constatação. Sabia que ela o estava caçando mais jamais a imaginou tão bonita e até mesmo pequena. Kara não era alta, suas botinhas a ajudavam, mas não passava de um metro e 1.70. No entanto havia algo nela, o olhar, a postura. Lembrava o rei.

Atrevido ele lançou-se sobre ela e a luta foi quase equilibrada. Kara o feriu diversas vezes e por muito pouco não cortou sua cabeça. O sol a impediu. Mas o marcou cruelmente durante a luta. Cortou uma de suas orelhas. Ele agora usava o cabelo solto para cobrir a ausência. Mutilações eram algo permanente para um vampiro. Queria cobrar o preço pelo que fez aquelas jovens. Sobre seu corpo caído puxou a adaga que levava presa na coxa. E fez o corte com a precisão de um cirurgião. Jogou o pedaço de carne sobre seu peito e mergulhou nos esgotos da cidade onde a luz do sol não a tocaria.

Aquele seria o último encontro. Estava cansada de caçá-lo, queria voltar para o château tomar um banho de banheira.

– Acha mesmo que vou me render? Que vou parar?

– Tenho certeza que não. Por isso vim até você. Vou lhe ajudar com isso. – ela comentou semicerrando os olhos.

– Solte a espada ou estouro seus miolos. – rugiu com o rosto transformado. Os olhos negros, os caninos a mostra, a pele feita em mármore.

As meninas nas celas choravam com medo.

– Tudo bem.

Kara soltou a espada no chão. Não queria levar um tiro no rosto. Ia demorar a se recuperar, mesmo com o sangue de Ariel nas veias. Deixou a espada que o rei lhe presenteara no chão e trouxe da bota sua adaga e a cravou na garganta do vampiro. O golpe sobre o cabo quebrou sua traqueia e o impossibilitou de lutar. O sangue salpicou sua face e roupas. O fitou tocando a garganta, o sangue fluindo por seus dedos.

– Acabou Górki…

Vindo do fundo daquele quadrado sombrio e fétido uma vampira descabelada e suja atacou Kara. Lançou-se sobre ela e tentava arrancar-lhe os olhos. Feriu sua garganta com as unhas imundas e só se afastou ao receber um soco no rosto.

A vampira era velha, mas aparentava ter quinze anos. Possivelmente uma das vitimas mais antigas daquele maldito vampiro. Ela deveria ter uns oitenta anos a julgar pela pele e olhos, a força. Afastada pelo soco foi para perto da criatura que amava, Górki. Tocava-lhe a garganta e puxou a adaga de sua carne sangrenta e rugiu para Kara com a arma em punho.

– Você precisa descansar querida.

No movimento ágil Kara pegou a espada no chão e a matou com um golpe piedoso. A cabeça rolou e um som engasgado saiu da garganta do vampiro que milagrosamente ficou de pé. E avançou sobre Kara numa carreira cega de ódio bem parecida com a sofrida há poucos minutos.

– Merda!

A espada cravou-se no estômago do vampiro, Kara tentou se segurar, mas um empurrão foi forte e jogou ambos para fora da janela do prédio.

Caíram metros a baixo. Górki balbuciava suas últimas palavras. Fora empalado por um pedaço de ferro. Kara tocou a cabeça e sentiu sangue nos dedos. Estava num piso sem paredes e repleto de pedaços de ferro apontando para o alto. Assim que olhou a sua volta acreditou ter muita sorte. Passou muito perto de ter sido empalada também. O sangue de Górki escorria e pingava sobre Kara. A perna estava torcida, ferida. Tocou o flanco e sentiu a roupa de couro rasgada, o corte na carne, o sangue, o pedaço de madeira.

Arquejou e foi tomada por uma lembrança. Os olhos azuis do vampiro estavam sobre ela.

– Você está sangrando! O que aconteceu, Kara? Fale comigo, por favor.

O vampiro do Templo tocava seu rosto com aflição, enquanto a fitava.

– Caí de um prédio. Ai!

Ouvia sua voz, mas quase não se reconhecia frágil e chorosa. Ele não esperou um minuto sequer, tomou-a nos braços e a carregou para o banheiro. Rapidamente a sentou sobre a bancada do lavatório. Nervoso, tirou-lhe a jaqueta, ouvindo-a gemer de dor.

– Merde! O que aconteceu, Kara? Kara?

Voltou à realidade arfante. Precisava sair dali e bem depressa. Só então se percebeu sobre uma fina camada de madeira e gesso. Para piorar o corpo de Górki estava fazendo os pedaços de ferro ceder. Estavam enferrujados e se desprendendo da parede com seu peso. A situação beirava o desastre. O prédio abandonado estava em ruínas e a chuva que caiu não ajudou muito.

Antes que pudesse saltar o piso onde estava cedeu. Seu grito cortou a noite e alertou Ariel não muito longe. Kara viu a chuva de tijolos, ferros, e o corpo inerte de Górki caindo sobre a frágil estrutura onde ela estava. Tudo ruiu e ela foi junto.

– Kara!

De pouca distância ele a viu desaparecer sob os escombros.

Ainda caiam tijolos quando Ariel se aproximou da pilha de entulhos onde Kara estava soterrada. Ele estendeu a mão e a localizou em questão de segundos. A chuva voltou, mas isso pouco importava. O rei dos vampiros estava cavando por entre restos de pedra, madeira e gesso que pareciam não ter fim.

– Kara! Pequena… Não! Não!

Nervoso demais para prosseguir usando sua agilidade de vampiro, ele se afastou. Fechou os olhos por um minuto sob a chuva e quando os abriu novamente estava pronto para usar um de seus poderes.

Estendeu a mão em direção à pilha de destroços. Algo aconteceu, uma primeira camada de tudo que havia no chão afastou-se, uma segunda e uma terceira.

Um feito e tanto para sua mente, mas ele conseguiu, pedaços de madeira e tijolos foram lançados longe e finalmente parte do corpo de Kara ficou visível. O rei segurou sua mão suja de sangue e areia e a beijou.

– Pequena o que fez? – questionou a puxando para a superfície.

Estava desacordada e muito ferida. Havia sangue na cabeça, o ombro fora perfurado por um pedaço de ferro. A perna parecia quebrada. Ela era uma lista de lesões! Sequer sabia com qual se preocupar mais.

Pegou o celular e ligou para o motorista, falava rápido, enquanto via a recobrar os sentidos e gemer de dor, arquejar. Ele a ergueu nos braços. A chuva os castigava e limpava o sangue e areia do rosto de Kara.

– Maldita vampira teimosa! – rugiu aborrecido e aflito.

Ariel caminhou até o fim da rua onde o carro negro e luxuoso apareceu. O Pacificador abriu a porta e assim que o rei entrou a fechou.

– Para casa Arturo e depressa.

Ariel tirou o casaco e a envolveu nele. Feriu o pulso e o levou a sua boca. As gotas caiam e a animaram a beber. A mão débil o segurou junto aos lábios e sugou o precioso líquido. Os olhos se encontraram, estava em seus braços e ele a apertou junto a se com cuidado e carinho.

– Juro, você ainda vai me matar de susto Kara!

No château Joshua cuidaria das perfurações. Limpava o rosto de Kara com um lenço. Sentia-se impotente diante de seu estado. Bem sabia que logo seu organismo reagiria, mas vê-la ferida não lhe agradava, principalmente sabendo o causador.

– Górki…?

– Morto. Você o matou, acabou o coração dele foi destruído completamente. Não se esforce. O sol cuidará de seus restos.

Ele pode vê-la sorrir satisfeita e gemer de dor. O miserável estava morto. Terminou.

– As meninas no esconderijo…

– As encontrei e elas serão resgatadas, fique tranquila. Esta tudo bem agora.

Maldito! O sol o engoliria lhes poupando a limpeza. Fitou o rei mantendo-a nos braços e ergueu a mão para tocar seu rosto. Mas antes que conseguisse apagou.

Havia dado sua palavra para Jan Kmam, que nada de mal aconteceria a Kara. Precisava vigiá-la melhor. Ariel beijou-lhe a testa. Tê-la nos braços novamente era maravilhoso, mas jamais imaginou deste modo, ferida e inconsciente.

O carro parou e logo o pesado portão de ferro se abriu dando-lhe passagem. Metros à frente um criado abriu-lhe a porta. Ariel carregava Kara com extrema facilidade e cuidado, cruzou o hall da mansão e passou pela sala de estar rumo à escadaria como um raio. A Sentinela que abriu a porta e esperou por ordens, que não vieram. O rei sequer o viu, tamanha a preocupação com a vampira. Ele só parou dentro do quarto que agora funcionava a uma sala de cirurgia. Ele depositou Kara sobre a mesa de exames e se afastou. Imediatamente Janine, a enfermeira, antiga Pacificadora se aproximou. Pegou a tesoura e começou a cortar as roupas da vampira para que o doutor começasse a trabalhar.

Joshua vinha substituindo bem o bom Dr. Vitor. Como vampiro conhecia bem a natureza de um corpo imortal. Os Pacificadores e Sentinelas eram seus maiores clientes. Extrações de balas, envenenamentos. Os vampiros possuíam grande capacidade de regeneração, mas se o ferimento não provocasse uma hemorragia aguda, ou se impedisse a cicatrização. Por ser vampiro não era visto como um curioso. A corte crescera nos últimos anos. Menos desgarrados e mais vampiros inscritos no Livro. Mais audiências, o mundo vampiro estava cada vez mais organizado. E não era raro Dr. Joshua receber pacientes um ou dois por noite. Ele tinha até mesmo e soro contra mordida de lobisomem.

– Ela parece um ímã, está cheia de ferro e destroços, vai ser doloroso…

– Use morfina.

– Ela não aprova. – nos últimos dois meses aquela vampira era uma constante em sua mesa de atendimento. E sabia que odiava drogas.

– Que se dane, eu aprovo. Faça. – ordenou Ariel observando com aborrecimento o corpo ferido, sangrento da vampira.

– Janine a seringa. – pediu olhando para sua enfermeira.

A seringa já estava pronta e foi passada para as mãos do médico. Ele injetou o liquido nas veias da vampira e verificou seus olhos. Kara odiava ser dopada. Escolhia sentir dor a lidar com a inconsciência e os efeitos colaterais a deixavam tonta. Tendo-a inerte sobre a mesa começou a remoção dos pedaços de ferro e madeira de seu corpo. Trabalhava rápido, quanto mais depressa os cortes se fechassem menos sangue ela perderia. Enquanto Joshua trabalhava Ariel foi para o banheiro e se despiu. Ele estava encharcado, sujo de barro e sangue. Enquanto se lavava seu criado de quarto apareceu com roupas limpas. Bem em tempo de ver seu rei sair do banheiro e enrolar-se numa toalha.

Os olhos de Janine fixaram-se discretamente sobre seu rei. Os cabelos cacheados e ruivos estavam escuros e lindamente desordenados. O peito largo e pálido era convidativo, assim como os ombros. O cheiro de sua pele e sabonete eram um convite ao olfato. A jovem pacificadora desviou a vista, quando ele soltou a toalha sem pudor. O criado entregou-lhe a cueca boxer e logo depois a calça jeans. A visão de sua virilidade a tocou ao ponto de quase deixar cair à bandeja que segurava. Desviou a vista e se recompôs e recebeu os instrumentos sujos de sangue das mãos do médico.

Era perfeito e realmente… Não esqueceria aquela visão por um bom tempo. O único da espécie que podia satisfazer uma humana, uma loba, uma vampira, até mesmo uma súcuba. Desviou o olhar da sutura e voltou à atenção para o rei.

Os olhos verdes pegaram os seus. Ela baixou a vista envergonhada, mas não arrependida. Era por isso que as vampiras o perseguiam, as roupas caras e elegantes davam a ele um ar civilizado, bonito. Mas o preferia como estava agora, jeans e camiseta negras. Os ombros expostos, o cabelo penteado apenas pelos seus dedos. Sua aparência selvagem e sexy era tentadora.

Calçou um par de sapatilhas de couro leves. Joshua estava terminando com Kara e Janine conteve seus desejos. O rei era um cavalheiro e não cortejava as damas de sua corte. Mas quando desejava uma delas às fazia saber. Pelo que sabia, Togo, seu conselheiro e líder da Ordem dos Pacificadores avisava a vampira caso ela desejasse corresponder, era levada até o rei.

A enfermeira afastou tais pensamentos da cabeça ao ver o médico fechar os cortes mais profundos que a vampira trazia no corpo. Fez curativos e Janine a cobriu com o lençol.

Ariel se aproximou e a tomou nos braços. A levaria para seus aposentos. Não ia deixar que passasse o dia num dos leitos da enfermaria. Seguiu pelos corredores menos movimentados e usou uma de suas passagens secretas para chegar até seu quarto. Aquela noite dormiria na cama do rei. Na verdade Ariel tinha dos quartos, um na câmara subterrânea e um no terceiro andar. Ela não recordava, mas quando estiveram juntos, como amantes, odiava os falatórios sobre eles dois. Kara não era bem vista, não fora antes, nem seria agora que estava livre de seu mestre e emancipada.

Ajeitou-a sobre os travesseiros e a cobriu com mais um cobertor. Os cortes já se fechavam, os ossos voltavam ao lugar, às marcas roxas sumiam deixando a pele lisa e pálida como antes. Logo estaria desperta e pronta para enlouquecê-lo novamente. Beijou seus lábios delicadamente e partiu. Era preciso cuidar dos estragos causados por Górik. Encontrou Togo no corredor para a sala que usava para reuniões.

– Desejo companhia essa manhã. – disse o rei olhando o tablete que recebeu das mãos de Togo.

– Quem devo chamar?

– Janine, a enfermeira. Faça a ela o meu convite. – respondeu, enquanto conferia os e-mails.

Togo o olhou e resolveu falar.

– Ela não é qualificada para servi-lo, majestade. É uma pacificadora.

– Deixe que eu decida Togo. E, ela não é mais uma pacificadora. Esqueceu?

– Existe uma lista de vampiras que…

– Janine, Togo. – insistiu Ariel aborrecendo-se com a insistência de Togo.

– Certamente majestade.

O rei seguiu pelo corredor e foi para sua câmara. O dia nasceria em uma hora. Não gostava de sentir o poder do amanhecer sobre seus sentidos. Seu corpo estava faminto, queria dormir acompanhado, dar e receber prazer. O olhar da enfermeira só o lembrou de quanto tempo estava sozinho. Não fora a primeira vez que a percebera o observando. Bem, muitas o olhavam, mas nem todas chamavam sua atenção. A lista de Togo estava cheia de vampiras, que sonhavam ser sua concubina. Kara era sua rainha, pelo menos era o que desejava que ela se tornasse quando fosse inscrita no Livro. Por agora ela precisava ser protegida e escolher seu caminho.

Desejava-a, mas jamais a tocaria sem que lembrasse quem ele era em sua existência como vampira. Sua presença na casa o deixava ansioso, amava aquela vampira e faria qualquer coisa para vê-la feliz. Vestiu um roupão de seda negra e foi para o quarto. Sentou no divã e pegou um dos livros na pilha ao lado. Havia livros em todos os lugares, claro, o criado tentava manter tudo em ordem, no entanto, não os tirava do lugar onde o rei os deixava. Leu por quase trinta minutos. Togo não voltou, nem mandou mensagem. O dia nasceu. Soltou o livro e resolveu dormir, teria algumas reuniões logo que a noite chegasse. Teria de tomar algumas decisões difíceis…

– Majestade.

A voz de Janine se fez ouvir. Ariel se voltou e fitou a jovem mulher. Havia tirado o uniforme branco. Usava um vestido floral e sapatos de verniz. O cabelo negro estava preso num coque, os lábios coloridos por batom vermelho rubi. Os olhos castanhos escuros tinha uma expressão calma. Mas seu coração estava disparado. Ela era uma visão dos anos cinquenta. Bem, foi nessa época que ingressou como Pacificadora. O vestido certamente era daqueles dias. O uniforme branco escondia sua beleza certamente.

– Fico feliz que tenha aceitado meu convite.

– Sim. – disse ela e começou a desabotoar o vestido.

– Pare, por favor. – ele pediu. – Quero sua companhia primeiramente, se nos sentirmos dispostos, o prazer virar. Tudo bem?

– Eu só… Sim, tudo bem. – concordou se tranquilizando. Seria bom ter a companhia de seu rei.

– Venha, sente-se aqui junto ao fogo.

Ariel Simon a conduziu para perto da lareira. Ela sentou em uma das poltronas e fechou os dois botões. O rei se afastou e quando voltou trazia nas mãos um cálice de vinho e um de sangue.

– Obrigada Majestade – ela aceitou e tomou um gole.

– Pode me chamar de Ariel, estamos longe da corte e aqui sou apenas um vampiro, acompanhado de uma linda dama. – explicou sendo sincero. – Obrigada por aceitar meu convite Janine.

– Togo disse que devo agradá-lo…

– Janine, eu queria companhia essa manhã, você aceitou meu convite. Mas entenda, não quero que me agrade. Seja você mesma isso me deixará feliz.

– Mas…

– Muitas das vampiras veem aos meus aposentos e apenas me fazem companhia. Dormem ao meu lado o que não implica em sexo. Gosto de conversar, jogar, ver filmes.

– Compreendo. – ela disse num murmúrio.

– A decepcionei?

– Não, não. Eu só pensei… – ela se calou.

– Sou obrigado a especificar no convite, que se trata de satisfazer o rei. Minha satisfação passa por muitos estágios. Eu sei que tenho uma reputação. – brincou ele a olhando com atenção a fazendo corar. – Vejo prefere ser enfermeira em vez de Pacificadora.

– Sim. Muito, obrigada por me permitir a mudança.

– Todos têm direito a mudar de opinião. Você nos serviu bem como Pacificadora por cinquenta anos.

– É tão estranho, parece que foi ontem. – comentou sorvendo o vinho. – Depois da guerra eu trabalhei em um asilo de idosos e me senti muito impotente. Então quando o convite dos Pacificadores chegou me senti renascer.

Janine contou ao rei como descobriu o mundo dos vampiros. Ele gostou de conhecê-la melhor. Saber como se tornou Pacificadora. ] Conversaram por quase duas horas animadamente. Ariel riu de algumas de suas histórias como Pacificadora e lhe mostrou uma de suas coleções de pistolas. Ela ficou fascinada, gostava de armas de fogo e entendia bem delas.

Estavam bem perto quando ela tocou seu rosto. Quase como se quisesse saber se ele era real. Apenas ficou quieto e deixou que ela explorasse seu rosto, por fim os cabelos ruivos.

Janine estava bem perto agora e quando ele a puxou para si, ela colocou suas mãos sobre as dele. Ele se curvou e buscou os lábios rubros. Ariel começou com leves toques, devorando seu batom, mas aprofundou o beijo apertando-a contra ele. Janine o envolveu com os braços e retribuiu com desejo. Sentou na poltrona próxima e a puxou para seu colo. Sua excitação à fez recuar suavemente.

– Só a tocarei quando pedir… – ele murmurou junto a sua garganta, afinal a manteve junto a ele delicadamente sem deixá-la fugir.

– Quero você. Faça amor comigo. – ela pediu com os olhos dentro dos seus.

– Mas por que treme? Medo? – perguntou ele segurando seu queixo.

– É que eu nunca… Estive com um vampiro antes – ela não disse mais estava óbvio

– Compreendo. Sou a melhor escolha para esse momento tão importante? – ele quis saber temendo tomá-la como primeiro amante.

– Sim. É.

Imediatamente as portas foram trancadas. O rei usava seus poderes para isolá-los do mundo. Janine gostou disso, poder. Trocavam beijos e caricias, enquanto Ariel a despia. Deixou-a apenas com a combinação de seda cor champanhe. Os dedos dele deslizavam sobre a seda suavemente. Ela era deliciosa aos seus olhos, o vestido, os sapatos e aquela combinação deram ao rei um sentimento de familiaridade único. A pele morna, os seios pontudos sob a seda o convidando ao toque o faziam arder de desejo.

– Você é linda. – sussurrou salpicando beijos sobre a seda numa tortura lenta.

Precisava disso, o lugar comum, uma bela mulher, seda e desejo. Ergueu-a nos braços e foi para cama. A mantinha em seu colo e beijava sua garganta, o colo macio, os seios agora nus.

Ela gemeu quando os lábios dele pousaram sobre o mamilo rosado. A pressão que ele exercia com a língua, a boca, quase fizeram-na chegara ao clímax. Mas ele sabia como levar aquela tortura a graus mais elevados. Sequer percebeu quando ele tirou-lhe a combinação deixando-a apenas com a calcinha de seda.

Deitou-a no leito a passou a salpicar sua pele morna com beijos. Janine retribuía acariciando sua pele pálida e firme e quando suas mãos delicadas empurraram o roupão expondo seu corpo forte ele parou e a olhou nos olhos.

– Vou possuir você Janine, espero que aprecie meu toque.

– Sim…

Ariel Simon puxou aquele último pedaço de seda e ficou diante do corpo nu de Janine. Era linda, arredondada, o sexo entre as coxas exibia pelos aparados e castanhos. Exótica, doce, morna, úmida. Ele mergulhou em seus mistérios e a saboreou fazendo-a estremecer. Quando notou que continha os gemidos na garganta, mordendo o polegar para não gritar, ele sorriu maligno.

– Não se contenha. – ordenou ele segurando suas coxas. – Deixe-me ouvir o quanto está gostando disso. – disse elevando a cabeça de seu ventre onde os cachos rubros a acariciavam.

– Vai me enlouquecer… – ela sussurrou arfante.

– Sim, vou.

Ele avançou sobre sua carne e Janine gritou ao contato de sua língua habilidosa. Contorcia-se, apertava os lençóis e por fim seus cabelos.

Enquanto ela tremia sobre os lençóis de seu leito, o rei sorria e lambia os dedos observando-a pronta para ele. Caminhou sobre seu corpo como um tigre e a beijou. Ela tinha as pupilas dilatadas, o corpo relaxado. Estava pronta para mais. E aquilo o fascinou. Entre beijos e toques a penetrou e a levou com ele em um ritmo lento e vigoroso ao êxtase. O corpo dela estava faminto de prazer, e ele a alimentou, saciou completamente.

Quando ele buscou sua garganta ela compreendeu o que ele precisava e lânguida ofereceu-lhe a carne. Segurou-se em seus ombros sussurrou.

– Tome meu sangue, me tome por completo.

– Sabe que isso não é necessário. – ele disse olhando-a nos olhos.

– Faça, quero que faça. Morda-me, tome meu sangue, quero saber como é, por favor.

O rei a olhou e os caninos ficaram expostos diante de seus olhos. Havia medo, mas havia também expectativa e fome. Ainda dentro de seu corpo se moveu deixando-a muito perto do limite de mais uma onde de prazer. Só então lambeu a carne macia provocando-lhe arrepios. Movia-se lentamente e quando não pode mais suportar a mordeu. O sangue inundou a boca do vampiro que teve o corpo sacudido por um gozo profundo partilhado por sua parceira. Ela gemia sob seu corpo e se deixava levar onda após onda. O sangue sorvido deu a Janine um êxtase grandioso, algo jamais experimentado.

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