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my_sweet_vampire_by_anndr-d4rsa46Então aquele era o rei. O rei dos vampiros, meu rei. – pensava Isadora no alto das escadas da casa de Marie.

A maioria de nós tem a beleza ressaltada pelo sangue de seus mestres. Mas alguns são elevados à grandeza, talvez tenha sido isso que aconteceu com o status do rei Ariel Simon. Ele foi elevado a grandeza. Não conseguia afastar os olhos dele. E agradeci por esta às escondidas e poder observá-lo livremente do meu esconderijo.

Alto, talvez um metro e oitenta de altura corpo bem definido, forte, rosto perfeito em cada linha. Alguma deusa o desenhara. Não existiam mais homens como aquele nascendo em nosso século. Os cabelos ruivos e cacheados caiam em mechas sedosas pela testa, orelhas, ombros. Não era afetado, pelo menos, não nesse século. Mas quase podia vê-lo empunhando uma espada ou lencinho. Vestido com uma bela camisa de linho e calças negras. Nossa! Eu estava tento fantasias com o rei dos vampiros. Mas como não fazê-lo? Ele era soberbo! Seus olhos eram tão verdes quanto o musgo da Irlanda. Mas ali estava ele em trajes modernos. O jeans negro assim como a malha de lã fina, moldavam-se ao seu corpo como uma segunda pele. Havia tirado o blazer de couro. Falava segurando a mão de Marie, enquanto brincava com seus dedos.

Ocultei-me um pouco mais nas sombras. A presença daquele vampiro me trouxe sensações estranhas. E sequer havia estado a sua presença. Sentia-me desprotegida, no entanto, ligada a ele por sangue, ou algum poder invisível. Acho que era o sangue, ele nos unia a todos. Parte dele estava em meu antigo mestre. Agora em minhas veias. Apesar do título, mantinha uma aparência despojada. A primeira vista se passaria fácil por qualquer habitante da cidade. Numa segunda, sua beleza atrairia olhares, depois suspeitas. Afinal o rei possuía um pouco mais de dois mil anos.

Devia camuflar-se bem nas ruas. Através das portas ouvi a conversa que mantinha com Marie. Ao que parecia ela estava lhe censurando por sair todas as noites para vigiar uma vampira chamada Kara. Como rei devia se preservar e não se arriscar por uma vampira que sabia se cuidar muito bem sozinha e ainda por cima era sua campeã. Ele protestou com paciência e carinho e pelo visto faria o que desejava. Subitamente não consegui mais ouvi-los, por mais que tentasse, era como se houvesse uma barreira invisível bloqueando todo o resto, enquanto estavam presos naquela bolha protetora de som. Teria sido descoberta? Provavelmente, ou apenas queriam privacidade para conversar.

Aquela era a primeira vez que o via. Ele visitava Marie esporadicamente, mas nunca foi permitido ficar a sua presença. Às vezes dormia na casa. Quando isso acontecia dois grandes soldados, ou Pacificadores, vigiavam a casa. E havia mais deles do lado de fora, ou nos quartos. Quando ele partia, eles o seguiam.

Ele sorriu e seus caninos apareceram. O anel de rubi brilhou em sua mão quando tocou de leve o rosto de Marie, que sorria junto com ele. Ela sempre ficava mais feliz quando ele a visitava. Teria ela uma relação com o rei? Bem, ele não tinha rainha, e tão belo quanto era seria difícil ficar só. Aquela noite seria apresentada a ele, mas não lhe disseram o motivo. Subiu as escadas, não queria ser surpreendida bisbilhotando o rei. Ele chegou bem cedo, como evitara o sol?

Aquela pequena reunião com o rei, e seus mestres, estava mexendo com seus nervos. Mas não ao ponto de verdadeiramente se importar. Colocaram-na muito longe do limite há um ano. Teve vários tutores Marie, Valdés e Misha. Romano não a tutelava, mas dava-lhe aulas sobre as leis do mundo vampiro. Nenhum deles havia chegado. No inicio sentia-se desconfortável com a situação, contudo, eles disseram que era comum ter vários tutores quando se é filha dos Poderes. Esse era o nome dado a um vampiro sem mestre. Os abandonados. Não havia outra verdade, fora abandonada por Virgílio.

Por um momento Isadora se lembrou do beco, o sabor de seu sangue, toque de suas mãos. Tudo parecia muito, muito longe. Assim como a lembrança de seus carinhos, a promessa de não ser abandonada. O teve por tão pouco tempo. – lamentou silenciosamente. – Enquanto escondia a cabeça nos joelhos. – Uma bruxa. Deixou-a com uma bruxa tamanha a pressa em livrar-se dela. Algumas noites depois de perceber que Virgílio não voltaria, Isadora aceitou o abraço consolador de Marie, pois estava vivendo em silêncio, abatimento e lágrimas. Ela ouviu suas perguntas, culpas e a consolou, deu-lhe um rumo. A levou a Coucher du Soleil, mostrou-lhe a corte, a Togo, que a examinou com um olhar demorado e fez algumas sugestões a Marie em francês, língua que ela não conhecia. Sempre que queriam falar dela usavam outro idioma. Limitava-se a baixar a vista e engolir suas dúvidas e angustias. Mas daquele vampiro de olhos frios e orientais veio uma luz.

Ganhou um novo tutor, Valdés. Segundo soube, ele não tinha herdeiros de sangue, mas possuía horas livres para lhe ensinar a ser imortal e letal. Como ele gostava de dizer. O tempo passou e curou muitas dores, deu novos caminhos. Aprendia todos os dias com Valdés e suas “amantes” como ele costumava chamar suas pistolas e facas. Todas com nomes femininos. Era excêntrico e aventureiro, contava-lhe suas bravatas e tentava fazê-la sorrir com sua jovialidade. Tratava-a como um moleque, mas era um bom professor, até bondoso demais para o gosto de Marie, que vez, ou outra, supervisionava as aulas de tiro e luta…

Misha chegou. – antessentiu Isadora com seu coração, o rosto quente. Minutos depois ouvir sua voz. Ele a deixou com uma escolha por fazer algumas noites atrás. No entanto, não conseguiu sequer compreender seus motivos, quanto mais aceitar pensar em sua proposta.

Meses atrás quando Valdés disse que teria de partir em uma missão, Isadora sentiu o coração doer, se apegara a ele, era seu amigo, professor. Misha o substituiria. Mais um tutor? Quantos ela teria? Era como um saco de roupa suja passando de mão, em mão. Pensou se afastado.

– É a roupa suja mais bonita que conheço Dora. – disse chamando-a pelo apelido e lendo seus pensamentos. – O rei me deu uma missão, devo ficar fora por dois meses, talvez mais, você não pode tirar ferias. –brincou – Voltaremos com nossas aulas quando eu retornar. – disse empurrando sua testa com o dedo indicador. – Misha é como um irmão para mim, ele vai cuidar bem de você, minha irmãzinha mais nova. – dito isso a abraçou carinhoso.

Tinha sorte de tê-lo como tutor, ele aplacou muito de sua dor. Treinaram por algumas horas e depois saíram para caçar. Valdés a deixou em casa e partiu. Sentiria sua falta.

As apresentações foram diferentes com Misha.

Isadora acordou e a primeira coisa que fez foi se debater. Alguém apertava-lhe a garganta. No quarto escuro desferiu golpes e tentou compreender porque estava sendo atacada. Quando o brilho da lâmina ficou visível aos seus olhos soube que seu atacante pretendia matá-la. A seda da camisola sedia sob o fio da adaga. Rugia e num gesto aprendido com Valdés chutou e se livrou de seu agressor momentaneamente. Saiu da cama, mas foi recapturada, junto à porta. Seus cabelos estavam nas mãos de seu agressor e quando foi empurrada contra a porta o gosto de sangue invadiu sua boca.

Caiu no chão pesadamente e foi arrastada, enquanto lutava pateticamente para se libertar. Foi quando lembrou que podia saltar. O pulo a colocou sobre seu agressor. Mordeu seu ombro com força, e foi puxada com violência pelo braço, que certamente quebrou. Sentia o gosto do sangue do vampiro ele era tão forte e antigo quanto o de Virgílio. Tremia, estava seminua e descabelada. Nunca deixaria de ser a vítima? Precisava lutar melhor que isso. O vampiro se deteve esperando seus movimentos, a fitava das sombras onde não podia vê-lo.

– O que quer de mim…? – perguntou segurando o braço dolorosamente fora do lugar.

– Quero que lute. – a voz veio das sombras num timbre forte e exigente, frustrado.

– Quem é você?

– Importa saber quem ia cortar sua garganta?

Dito isso seu corpo se colou ao dela e adaga estava sobre sua pele fria e mortal. Ela se encolheu sob seu toque áspero. Um gemido saiu de sua garganta de forma involuntária.

– Vejo que tio Valdés a mimou demais.

Comentou o invasor tocando seus cabelos entre os dedos sentindo a textura suave. Fitou sua boca suja de sangue, a camisola cortada, o ombro ferido, as contusões que lhe provocou.

– Quem é você? Por que me atacou? – ela quis saber enfrentando seu olhar verde e dilatado.

– Seu novo tutor. Agora que acordou, bela adormecida, vamos treinar.

As luzes se ascenderam e Isabela viu o quarto revirado. Ficou de pé e tentou se cobrir, mas o braço doeu.

– Espere. – ordenou ele – Aproxime-se.

– Fique longe de mim. – rosnou ela apoquentada.

Os ferimentos dela não estavam cicatrizando, mas por quê?

– Sou seu mestre, deve-me obediência. – avisou sombrio.

– Vai à merda! Sai do meu quarto seu maníaco.

Um segundo depois estava colada na parede. Misha a mantinha presa e segurava seu braço dolorido.

– Apenas relaxe agora. – disse e estendeu o membro ferido.

Isadora gritou de dor quando ele posicionou o osso no lugar. Imediatamente seu organismo começou o processo de cura. Pode ver nos olhos do vampiro a surpresa com sua condição. As marcas roxas em sua garganta, os cortes nos lábios tudo sumia, bastou cuidar de um ferimento maior, e os menores cederam.

– Obrigada. – disse-lhe num sussurro, os olhos presos nos dele.

– Não me agradeça, apenas obedeça, e sim, será punida por me enfrentar e insultar. Você está diante de seu novo mestre, professor e pesadelo. – dizendo isso a deixou no quarto.

Naquela mesma noite quando desceu para sala de treinamento, encontrou o seu novo tutor, ou mestre, Misha. Valdés sempre falava dele, ou melhor, ele estava em suas aventuras de modo constante. Mas lá ele era bom e gentil, forte e letal, um maldito fodão com presas, que atacava jovens vampiras inexperientes.

Seus olhares se encontraram e ele a examinou. Lançou uma faca para que pegasse. Jogou-se sobre ela em luta e teve de se defender. Vinte minutos depois estava no chão e sangrando. Cortes marcavam sua pele e roupas.

– Levanta bonequinha. – debochou de costas para ela junto à mesa onde varias armas ficavam dispostas para o uso nos treinamentos. – Preciso lhe passar as regras agora que já analisei suas possibilidades.

Dolorida e com fome a vampira ficou de pé e mancou até ele. Estava muito pálida, o cabelo solto, ele puxara seu rabo de cavalo. Os olhos pareciam enormes. O cheiro de seu sangue no ar. Ele intacto, belo e a fitando como um maldito filho da puta. Odiou que ele fosse tão bonito, aqueles olhos verdes, os cabelos castanhos eram meio longos. Aqueles fortes dos ossos da face o deixavam com uma aparência gélida. Mais um maldito guerreiro.

– Quer me dizer alguma coisa? – perguntou ele certamente captando seus pensamentos furiosos.

– Por que esta me machucando?

– Você é fraca, por isso esta se machucando.

– Não é verdade… Está me surrando gratuitamente. Quebrou meu braço. Cortou-me inteira…

– É fraca, não consegue se defender, age como uma mortal.

– Valdés me ensinou…

– Ele mimou você!

O grito me fez recuar. Segurei o braço cortado, agora cortado e baixei a vista.

– Terminamos?

Não respondi. Percebendo que não falaria prosseguiu.

– Treinamos todas as noites, dentro e fora da casa. Armas, facas, espadas e tudo mais. Luta corporal será toda quinta feira. Marie lhe conseguirá roupas apropriadas. Deixei alguns livros que precisa ler na biblioteca. Quero um resumo de cada um deles para amanhã.

– Misha…

– Para você sou mestre. Entendeu?

– Você tem problemas, ou é só muito arrogante?

Imediatamente Misha pegou sobre a mesa um bastão fino de borracha e se aproximou dela. Ela recuou e por fim parou para enfrentar seu olhar gélido.

– Estenda as mãos.

– Não! Isso é ridículo…

– Se não estender as mãos vou usar o chicote nas suas costas. – a ameaça era verdadeira.

Fui tocada por minha realidade. O aviso de Virgílio em meus ouvidos:

“– Quero que a obedeça, ou será punida. Essas foram minhas ordens, e ela as fará cumprir. Não duvide. Nossas leis são cruéis e não merece senti-las em sua pele”.

– É a segunda vez que me desrespeita. – disse tirando-a de suas lembranças. – Virgílio não lhe ensinou nada? Sou seu mestre agora e me deve respeito e obediência, levo isso muito a sério.

– Eu só…

– As mãos. – exigiu sem dar espaço para explicações.

Fechei os olhos e engoli meu orgulho. Estendi as mãos e esperei com a vista baixa.

– Palmas para cima, e olhe para mim. – ordenou seco.

A vampira fitou o rosto sério de Misha e desejou ter poder para revidar em uma luta justa.

– Está sendo punida por desobedecer seu mestre e insultá-lo.

Os golpes desciam com força. A dor era bem real, os vergões uma marca de sua vergonha. Quando o vampiro se afastou não conseguia mover os dedos.

– Como deve me chamar? – ele exigiu fitando seu rosto, as lágrimas escorrendo pela face pálida. – Vamos ter mais problemas Isadora? – ele perguntou quando ela demorou a responder.

– Não. – a voz era um murmúrio rouco.

– Como deve me chamar Isadora? – ele insistiu rodeando-me como um tigre pronto a atacar.

– M… Mestre. – consegui dizer engolindo minha raiva.

– Ótimo. Vejo você amanhã. Agora pode se retirar.

Fitava as mãos quando ouvi a voz de Romano e sai momentaneamente de minhas lembranças. Mas ainda não podia descer. Ele me chamaria, quando fosse o momento.

Não saberia descrever a dor nas mãos. Os ossos doíam e os hematomas roxos pareciam sanguinolentos sob a pele. Ardia, ficavam dormentes e por fim doíam. Voltei para meu quarto naquela casa e percebi minha cruel situação. O quarto fora arrumado, moveis substituídos, tudo nos lugares. Dentro da banheira, imersa em água quente observava o sangue tingir a água. A olhava hipnotizada. Os cortes se fechavam, enquanto as lágrimas escorriam por minha face. Aquela era a única prova que Virgílio esteve em minha vida. Seu sangue, seu poder sobre meu corpo.

O tempo passou, mas não diminuiu a força da minha raiva, do ódio que sentia por Misha. As primeiras aulas foram de machucados e lágrimas que vertia sozinha na escuridão do meu quarto. Era cruel, exigente e não hesitava em castigar-me por meus erros. Com meses de treino e machucados consegui desenvolver técnica e golpes. Quando ele se recolhia, e eu não tinha livros para ler, ou tarefas para cumprir, voltava ao estúdio e treinava até o dia amanhecer e me fazer fugir para meu quarto.

Lutava para não ser massacrada por ele e à medida que evoluía, ele tornava tudo mais difícil. Certa noite fui levada por um pacificador para um local desconhecido. Quando tiraram o capuz de minha cabeça me vi em uma arena vazia. Acentos de madeira circulares. Chão de barro e grades altas. Uma porta de metal ainda fechada. Luzes focadas no centro do espaço, Senti cheiro de sangue de vampiro e suor de um animal.

Micha apareceu e sentou na quarta fileira e lançou sobre mim um frasco que aparei no ar.

– Se quiser ficar viva, beba.

Imediatamente sorvi a bebida amarga e pegajosa. Com ele não era permitido hesitações. Foi quando ouvi um rosnado. Havia um animal do outro lado da grade de ferro. Um lobo! Mas não um comum. Era um lobisomem. Ele lançou uma faca e uma espada aos meus pés.

– Boa sorte.

O animal foi solto e entrou na arena com fome de sangue. Meu sangue imortal. Lutei com unhas e dentes para ficar viva. Tive o braço mordido, a mão quase arrancada, mas matei o lobisomem. De pé sangrando e muito ferida, vi as minhas veias enegrecendo. O ar faltou em meus pulmões e antes que pudesse entender o que acontecia cai no chão.

Despertei, ou quase, um dia depois, meus ferimentos envoltos em gaze, sentia-me febril. Vi um homem vestido de branco, que me ponteou o ombro dilacerado, a mão. Ao lado dele Marie. Ela estava furiosa com Misha ela o expulsou do quarto. Vi Romano, Togo ao lado da minha cama. Olhavam-me com preocupação. Bebi líquidos quentes, amargos. Balbuciava palavras que não entendia, era consolada, mantida na cama. Tentava levantar, falar, mas por fim apaguei.

Quando a lucidez voltou vi Misha, ele estava com a cabeça apoiada na cama ao meu lado. Os cabelos tocando meus dedos, os olhos fechados.

Acariciei as mechas e por um segundo me perguntei o que fazia? Ele quase me matara. Afastei a mão e virei o rosto.

Um minuto depois o vi despertar e me olhar com seus belos olhos verdes. Havia alegria contida, uma pontada de culpa e alivio.

– Como se sente? – quis saber tocando minha mão.

Puxei a mão e vi sua vergonha por ter me tocado, e respondi como bem sabia.

– Mastigada.

Ele sorriu, algo raro. Mas que iluminava seu rosto e dava-lhe vida. Algo que não mostrara para mim em todos aqueles meses de treinamento rigoroso que quase matou-me.

– Sinto muito. – começou ele num surpreendente pedido de desculpas.

– Por quê? Por quebrar meu braço, me cortar, punir, por ser meu pesadelo? Ou me colocar em uma arena com um lobisomem?

– Deixei-me levar pelos poderes de sua herança sanguínea. Esqueci que é apenas uma recém-nascida. – disse envergonhado. – Você quase foi morta. Não estava pronta…

– Eu venci. – o cortei – Estou viva, estou pronta. Admita.

O vampiro olhou-me surpreso e ciente de que estava reivindicando um reconhecimento justo.

– Sim. Verdade, você venceu.

– Aprendi muito no último ano. Inclusive a perceber que é o que lhe fizeram. Vou ficar apenas com o que me ensinou, não pretendo me tornar o que é. – disse friamente. – Não existe necessidade de se sentir culpado. Estou pronta, sei me defender sozinha. Sua missão chega ao fim.

Misha olhou-me e sem dizer nenhuma palavra, deixou o quarto. Foram necessárias mais duas semanas para que ficasse completamente curada. Mas havia as cicatrizes. Com lobisomens as coisas eram mais demoradas, difíceis. Misha continuava na casa, apesar de não mais treinarmos. Recebi visitas, Romano, Togo, que deixou claro que podia abrir uma espécie de processo contra Misha. Recusei e ele partiu. Valdés, sim, ele voltou e depois de me visitar e constatar que estava bem, teve uma acalorada briga com seu melhor amigo. Virei motivo de discórdia de uma amizade de séculos.

– Isadora? – era Romano me chamando.

Sai em definitivo de minhas lembranças e fiquei de pé. Revisei a roupa. E respirando fundo comecei a descer as escadas. Chegara a hora de conhecer o rei, Ariel Simon.

Continua…

 

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