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freelance-article-writingQuando comecei a escrever a minha única pretensão era ver a história datilografada. Não acordei pela manhã e disse: vou ser escritora. A maioria pode ler e dizer: até parece! Mas eu estou viva, e enquanto viver é meu direito contar a minha versão da história.  Nunca fui rica, bem de vida. Meu pai era eletricista e minha mãe costureira, eu e minhas irmãs e irmão sempre trabalhamos.

Quando a TV de todo mundo era colorida, a nossa ainda era preto e branco. Os tempos eram outros, tudo era mais difícil de conseguir. Hoje em dia basta ter cartão de credito e tudo está resolvido em 12 vezes sem juros.

A minha máquina de escrever meu pai comprou de segunda mão, e já passou por quatro revisões. Hoje em dia escrevo no notebook e gosto quando o teclado faz barulho, isso ilude meus sentidos. Datilografei o livro Alma e Sangue em papel reaproveitado, minha mãe entregou uma encomenda e com o dinheiro comprou uma resma de papel para que o datilografasse novamente. Essas coisas não se pode esquecer.

Dai em diante trilhei por caminhos com mais espinhos do que rosas. O original do livro quase foi roubado, entrei na lei de incentivo a cultura, o livro foi aceito por puro mérito. Captei os recursos sozinha. Fui bater no gabinete do secretario de cultura, marquei hora e falei do livro. Nunca deixei cargo, titulo, distancia, homem ou mulher me dizer não sem explicar o motivo.

A editora que pegou o projeto editou do jeito que entreguei o manuscrito, não fez a capa. Encontrei todo tipo de pessoas no meu caminho boas, péssimas e horríveis. Nunca desisti. Cai varias vezes, mas nunca desisti. Passei um ano sem escrever nada, quase vendi minha máquina de escrever.

Passei cinco anos presa por um contrato, sem publicar, tendo dois livros prontos, vendendo sem receber um tostão. Eu me sentia como um preso cumprindo pena. Já vendi e não recebi, tomei calote. Ouvi cobras e lagartos, já fui discriminada por ser nordestina e escrever sobre vampiros. Por ser mulher e está num mercado onde os homens acham que escrevem melhor. Pura idiotice em todos os casos.

Mandaram-me procurar Jesus. Nordeste, Natal? Você mora onde? Você trabalha dois expedientes e ainda escreve?

Perco eventos, às vezes é difícil ir a São Paulo, só lembrando, aparecer nem sempre significa vender. E não aparecer nem sempre significa não vender.

É uma profissão difícil no Brasil? É difícil, mas não é impossível. Se você tiver garra e talento consegue.

Estou no Facebook, no Twitter, no meu blog, no Skoob, e basta senão não tenho tempo de respirar. Quando tenho tempo atualizo tudo, ganhei um grupo, tenho duas páginas no facebook. Esse ano li 80 livros por diversão e puro prazer.

Na minha vida de escritora paguei por dois livros, o Alma e Sangue, em 2000, que foi patrocinado pela lei de incentivo a cultura, e um livro de contos do qual participei, que também foi patrocínio. Sou escritora a moda antiga, mando o livro e seja o que Deus quiser.

Elogio o que gosto, o que acho bom, não costumo puxar o saco de ninguém para aparecer. Se virem alguma matéria comigo pode acreditar é porque o livro se destacou sozinho. Não peço nada para ninguém.

Não perturbo ninguém, no meu Facebook posto o que gosto, música livros, filmes. Essa sou eu, Nazarethe Fonseca. Não tento ser intelectual, só falo do que sei e uso óculos porque sou míope. Já errei e editei posts. Aprendo todos os dias.

Respondo todos os e-mails que recebo, no twitter e no Facebook. Não costumo ler originais, não faço analise crítica isso é coisa para profissional, eu sou só escritora. Se conselho fosse bom se vendia. Dar conselhos sobre texto de outro escritor é o mesmo que tirar férias no Iraque, suicídio. Não faço prefácio nem pros amigos, fiz anos atrás e até hoje não recebi um exemplar sequer. Errar é humano, permanecer no erro é burrice.

Ser escritor é solitário, exaustivo, por vezes decepcionante, você encontra pessoas de todos os tipos.  Tem pessoas que simplesmente não entendem que você tem prazo, os amigos te esquecem, te acham louco. Algumas pessoas acham que sabem mais do seu texto que você, que querem mudar tudo. Porque no mundo deles é assim e assado, é formado, tem duas faculdades. Porque no Brasil você não pode escrever fantasia, você não pode escrever tão bem, você é do nordeste.

Nesses momentos você tem de ter caráter, acreditar no que faz, e ser fiel a você mesmo. O resto é resto. Enquanto os cães ladram a caravana passa.

Tenho dezesseis anos de escrita e ainda não sei tudo, porque a escritora muda conforme envelhece. E seu texto não é imune ao tempo, nem ao escritor. Tenho seis livros publicados e alguns contos em coletâneas e em formato E-Book.

O texto é uma retrospectiva de minha vida como escritora, da mulher que escreve em casa, no ônibus, na hora de almoço, quando dorme, quando está feliz e triste. Escrever é um sexto sentido, meu terceiro braço. Tenho facilidade em escrever e abarroto cadernos com cenas, diálogos. Não sofro, não dói, isso não é pra humilhar quem escreve pouco. Minha vida é só minha e de mais ninguém. Nas minhas férias além de dormir, me divertir, eu leio e escrevo.

Não estou me lamentando, o passado está no passado, aprendi com meus erros e tenho a certeza que não usei ninguém de degrau. Não se pode agradar todo mundo, e nem vou tentar, é burrice.

Ainda me surpreendo quando pago algo com dinheiro do meu trabalho de escritora. É a melhor sensação do mundo. Em março de 2014 estarei lançando meu sétimo livro, Pandora, Controle Sobrenatural. Tem coisas que precisam ser ditas para quem olha de longe e vê apenas o que quer. Quer ser escritor? Então comece a trabalhar.

Beijos mordidos e Feliz 2014!

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