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Sempre que me perguntam de onde tiro inspiração para criar meus personagens, minhas histórias, eu não encontro uma boa resposta.

Não copio personagens, não uso ninguém do mundo real.  O mundo real tem escassez de bons personagens. Tudo é meio previsível. Às vezes é feito de frustração e personagens pobres. Até mesmo os vilões, esses existem aos montes. Alguns medíocres, outros patéticos e dignos de indiferença total e completa. Na vida, até mesmo para ser um bom vilão é preciso talento, senão cai no ridículo.

Minhas histórias, meus personagens têm um pedaço de mim, que os criei. Algo como um beijo, um pacto, uma troca. Nada premeditado, os dois saem ganhando. É meio que sexo, só que melhor, porque o personagem sempre vai desejar mais do que vocês trocaram na noite passada.

Você passa para o papel o que tem dentro de si. Mesmo que seja uma folha em branco.

Cultura, livros, comida, medos, sexo, morte, dor, fragrâncias, burrices, medo, terror. Seus amores, e desilusões, a música que você gosta ou odeia. Um pedaço de tempo que você conseguiu roubar do próprio tempo. O que te dá prazer e repúdio.

O escritor precisa ter algo dentro de si além do desejo de criar e ser escritor. Escrever é entrega, se ficar na margem vai dar merda.

É como brincar de médico e monstro, ou de Dr. Frankenstein. No fim você criou algo em seis meses, ou um ano. Se sente esgotado, mas há muito prazer nisso. E chega alguém e quer que você defina “como”.

Existem personagens marcantes e que servem de inspiração para nós, escritores. Quando vi o filme, e logo depois li os três livros da série Millennium, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, de Stieg Larsson fiquei muito inspirada. Certos livros nos levam além das nossas limitações e expectativas.

Lisbeth Salander é uma personagem bem construída, que pode inspirar mil outras. Seu visual, seu caráter, dores e fraquezas. Sua força e coragem, a inteligência, até mesmo seu silêncio, tem muito a oferecer.

Personagens são como quebra cabeças, uma colchas de retalhos, enigmas, um jogo de memória. Talvez você possa conhecer os ingredientes, a receita, mas o resultado é sempre inesperado. E não existe uma boa explicação.

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