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Nasci em 20 de Fevereiro de 1973, e isso diz muito.

Vi ao vivo o que muitos assistiram na reprise. Sou do tempo em que ser rebelde, era fura a orelha em dois lugares. Uma época cheia de inocência, mas que caminhava para sua maturidade. O mundo continuava o mesmo, mas todos haviam mudado.

Quando tomei conhecimento que perdi o festival de Woodstock, pensei: demorei demais a nascer, droga! Eu não vi Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Santana, Joe Cocker cantarem. Seis meses depois do meu nascimento morria Bruce Lee, o homem que criou o Jeet kune do. Ele se tornou imortal e um ícone da cultura mundial.

Enquanto isso no dia  4 de abril de 1975  Bill Gates e Paul Allen fundavam a Microsoft Corporation. Porém ainda era cedo para falar e pensar em computadores. O homem já havia pisado em solo lunar em 69, e eu sabia o que significava a frase: “A Águia pousou”. A guerra do Vietnã já estava no finzinho, acabou dia 30 de Abril de 1975, mas muitos já haviam morrido. A Tv era preto e branco, mas sabia a cor da guerra e dos conflitos que sacudiram o mundo.

Em 79 adorava dançar e cantar. Ficava no meio da sala diante da “Radiola” cantando Kung Fu Fighting, de Carl Douglas, Aquarius, trilha do filme Hair, nessa época quem não dançou, ou cantou Santa Esmeralda não estava vivo. Nem precisa dizer que adorava a Tina Charles. Fui à escola e estudei Moral e Cívica. Nessa época João do Pulo já era ouro nos Jogos Pan-Americanos. Enquanto o tempo ia passando crescia e via coisas que hoje estão nos livros de história. Vi o Papa ser baleado, acompanhei “As Diretas Já”, assistia Jerry Lewis na Sessão da Tarde até cansar, via também Balão Mágico, quando tinha crise de asma e não ia para a escola. Sabia que Elvis era o Rei, e que Roberto Carlos também era só que aqui no Brasil.

Tinha uma boneca Susi, a Barbie de hoje em dia. À medida que o tempo passava, o país e o mundo mudavam com uma velocidade, que só hoje posso medir e compreender. Vi ídolos cruzarem o céu como estrelas cadentes e caírem no esquecimento da morte ou do fracasso. E como cantava Cazuza, o Tempo não Pára! Cantei com Dinho “Minha Brasília Amarela”. Vi conflitos armados, alta dos preços, moedas que tentavam combater um dragão chamado “inflação”. Esse era o grande medo dos anos 80 e 90. Por esses dias a IBM não conseguiu se entender com a Digital Research e procurou aqueles dois caras, o Bill Gates e Paul Allen, daquela empresa, a Microsoft, para desenvolver o seu sistema operacional. Bem, graças a isso você está lendo esse texto.

Filmes e séries, livros e novelas, dramas e palhaçadas dos Trapalhões, muros caíram e libertaram países. Em 1989 um homem enfrentou quatro tanques de guerra na Praça da Paz Celestial, isso parece estranho, mas foi bem real. Em pé diante dos tanques ele pedia paz e liberdade. Com o tempo a China ficou menos vermelha, mas ainda é a China. A Guerra Fria esfriou de vez, e a Rússia deixou de ser o pior inimigo dos Estados Unidos. O Oriente Médio mostrou sua fúria ao derrubar duas torres em solo americano. A internet caiu, o mundo suou frio. Vimos com surpresa e medo, os donos do mundo de joelhos. A resposta veio com a Guerra do Terror. O Talibã caiu e o deserto se tingiu de sangue. Cabeças rolaram, bombas explodiram. Tio San queria vingança e conseguiu, somente dez anos depois o responsável foi caçado e morto.

Temos a ideia de que tudo está mais perto. E o mundo gira, gira mundo. Nós continuamos esperando o Bug do milênio, o fim do mundo em 2001.Enquanto dançávamos com Madonna, Michael Jackson, os Menudos, Ops! Eu preferia The Cure. Bem, o Bug não aconteceu e isso foi uma piada, mas a maior ainda estava por vir. Mas nós não sabíamos, ou não lembrávamos.

Doenças e guerras bacteriológicas. Novos remédios foram criados, mas morrer ainda é uma regra para os mortais. A AIDS chegou, e logo depois a camisinha com atraso. Os celulares cresceram, diminuíram, depois cresceram novamente e agora parece que somos escravos da tecnologia. As redes sociais aproximam e isolam, matam, corrompem, ajudam, divulgam, constroem e destroem vidas. O grande desafio é manter a mente aberta e evitar a intolerância seja política social, étnica e sexual. Drogas novas e velhas ainda viciam e matam. O sexo ainda é tabu, apesar de ser livre, e a camisinha a salvação. A liberdade sexual aumentou, ou foi à tolerância que cresceu? Prefiro ficar com a tolerância. Afinal quem somos para julgar? Minha mente é um Universo Particular.

Ainda rezamos e olhamos para os fenômenos naturais como espanto e impotência. Ondas varreram algumas ilhas no Japão, uma usina Nuclear ficou fora de controle. O tempo passa depressa, e o velho se torna mais velho. Aqui dentro do meu traje de carne e sonho. Sei que o tempo é relativo, assim como meu manequim, ou as primeiras rugas. Afinal cabelos brancos eu tenho desde os 15 anos.

O Papa pediu para sair, e o mundo olha para o Vaticano com aquela certeza de que a “Verdade está lá fora”, e que de algum modo “nós queremos acreditar”.

Olho os meus pais e percebo as marcas do tempo, marcas que fizemos juntos. Na minha idade você sabe que está ficando velho quando se lembra de tantas coisas. Nessas falhas temporais me sinto um Tiranossauro Rex, claro, se vou ser velha, que seja em grande estilo. Sempre fui carnívora e quem se mexe muito na minha frente termina sem cabeça.

Escrevi esse texto dia 28 de janeiro. Eu estava finalizando um conto, quando do nada a ideia para esse texto cruzou minha mente. Então resolvi postar hoje no dia do meu aniversário. Eu estava ouvindo Rock Clássico, bem ao estilo Steppenwolf, que é uma banda Canadense formada em 1967. Foi quando percebi que ultimamente só venho curtindo clássicos. Fuga, redenção, ou saudade?

O tempo dirá, jamais não sou boa com perguntas filosóficas, principalmente quando se trata de minha pessoa. A confusão no Planeta Nazarethe, é algo para estudo, tese e doutorado. O certo é que hoje faço 40 anos de existência e 30 de lucidez.

As escolhas que fiz, os caminhos que trilhei, os amores que amei e odiei, os que viraram poemas, os que se tornaram vilões. Tudo, tudo foi feito com a madame razão. Então estou aqui ouvindo Steppenwolf, querendo dividir esse texto com meus amigos de Facebook e me intimido. Quem vai curti? Muitos aqui sequer eram nascidos. Vê porque a razão atrapalha? Relaxa e Goza! Quem manda agora é Nazarethe, e ela sabe que o prazer têm um preço. Não tenho medo de dizer minha idade, nem muito menos admitir, que meus gostos são do século passado. Meus aniversários eu passo fazendo o que gosto, e isso sempre muda. Uma das coisas boas da vida é mudar sem ter medo de ser feliz.

Hoje do alto dos meus 40 anos celebro a data sabendo que nasci para ser Selvagem! Para mudar mesmo que seja a mim mesma e sempre para melhor.

Com vocês Steppenwolf, Born To Be Wild, que é trilha sonora do filme “Sem Destino” de 1969. Um clássico, como eu sei que sou!

Feliz Aniversário Nazarethe Fonseca.

 

 

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