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II Capitulo das “Crônicas de Alma e Sangue, O inesperado acontece”.chateau-de-chantilly-walls

Yasmim acordou em um leito feito de lençóis de linho e almofadas de seda, que cheiravam a lavanda. Vestia uma camisola de algodão leve. Tinha curativos nos pulsos, testa e no ombro e braço, que jazia enfaixado junto ao peito. A atadura era firme, cheirava a anticéptico. A lembrança da tortura sofrida a fez tremer involuntariamente. Os cortes… Quase podia sentir a lâmina novamente sobre sua pele… Os gritos, o modo que o braço foi torcido. A corda envolvendo os pulsos feridos.

As janelas estavam fechadas, a lareira acesa, o ambiente estava deliciosamente aconchegante. Ficou de pé com certo esforço, se percebeu tonta. Desejou água, estava com muita sede. Olhou a mesinha de cabeceira e tentou alcançar a jarra de cristal e o copo delicado. Mas tudo que conseguiu foi ficar tonta. As pernas falharam, escorregou. O impacto só não foi maior porque se agarrou na coluna de madeira da cama que ocupava. Fez força para ficar de pé e sentiu suor banhar seu rosto e corpo. Estava fraca.

– Merda… Onde estou? – subitamente se sentiu enjoada. – Alguém…?

Havia muito luxo a sua volta. Cortinas de damasco e seda, a cama era uma peça de antiquário. O tapete onde estava caída era Oriental e pelo pouco que conhecia era bem antigo e valioso. Os quadros pareciam originais. O cheiro de rosas frescas vinha de um o vaso de porcelana chinesa. As rosas eram realmente magníficas, cultivadas certamente. Rosa e branco, uma combinação delicada certamente, e de muito bom gosto.

– Preciso de ajuda… Não quero vomitar no tapete…– murmurou fraca.

– O que está fazendo fora da cama Yasmim?

A porta se abriu e alguém irrompeu no quarto. Antes que pudesse responder, ou erguer a cabeça. Foi recolhida do chão e levada ao banheiro. Braços fortes a envolveram e a apoiaram, enquanto vomitava sentada no chão. O corpo tremia, sentiu o suor molhar sua pele. Com o braço livre segurava na borda do vaso. A mão masculina segurava seus cabelos castanhos, tocava sua testa evitando que batesse a cabeça. Estava muito fraca. Quando finalmente a ânsia passou. Sentiu uma toalha úmida deslizar por seu rosto delicadamente. Estava exausta, recostou-se no peito sólido, e tentou recuperar o folego, arquejava. Finalmente ergueu a vista. Um par de lindos olhos verdes a fitavam. O olhar estava escuro pela preocupação, mas com um toque curioso. Naquele momento só conseguiu continuar apoiada junto ao estranho. Não comia há quase três dias. Ele deslizou os dedos sobre sua cabeça. Só então percebeu que estava sentada em seu colo. As pernas fortes cobertas pelo jeans. O sapato de cadarço, aquele cheiro delicioso vinha dele? A mão livre segurava seu ombro…

– Onde estou? – foi um sussurro muito baixo.

A mão agora caia frouxa sobre seu colo, o peito do homem a amparava protetor. Sua fragrância máscula e cítrica a envolvia.

– Em segurança, fique tranquila.

– Estou com sede…

Foi suspensa no ar e levada de volta para o leito e lá servida de um copo de água. Bebeu com a ajuda do desconhecido e relaxou sobre os travesseiros. Tocou o braço ferido e pareceu sentir dor.

– Dr.Joshua te deu um analgésico forte, por isso o enjoo, mas vai passar. – dizendo isso abriu a porta para a criada com um carrinho.

Esgotada, Yasmim não recusou a sopa. Ou o modo que a sorveu. O homem vestido com uma camisa de malha negra e jeans azul. Sentou na borda da cama e passou a alimentá-la. As colheradas da sopa quente fizeram a cor voltar ao rosto pálido, a alimentava devagar. Parou duas vezes para reunir forças. Logo sua temperatura subiu percebeu quando ele tocou-lhe a testa com sua mão cálida. Deu-lhe forças para fazer perguntas.

– Qual seu nome?

– Ariel Simon, e o seu se não me engano é Yasmim, não é mesmo?

– Sim… Como sabe?

– Encontramos seus documentos no bolso de sua jaqueta. – explicou colocando os canudos próximos aos seus lábios feridos.– Vamos, tome, vai lhe fazer bem. – insistiu que ela tomasse o suco de maçã.

– Minha arma?

– Não, não localizamos. – disse e a viu piscar os olhos.– Mas não se preocupe está em segurança, medicada e por enquanto só precisa descansar e recuperar as forças.

– Obrigada. – murmurou segurando sua mão sobre o lençol.

O homem tomou sua mão entre as dele e a beijou reverente.

–Descanse criança, você passou por momentos terríveis.– dizendo isso apertou suavemente seus dedos. –Logo se sentirá mais forte e poderá sair da cama e retomar sua vida. Está livre e segura.

As palavras do homem, o modo carinhoso e respeitoso que a tratava deu-lhe confiança. A policial Yasmim piscou os olhos e cochilou, adormeceu. Ariel Simon a olhou entre os lençóis e viu Togo no corredor, certamente precisava lhe falar.Os olhos escuros de Yasmim estavam fixos na face do homem a sua frente. As pestanas ficaram pesadas e antes que percebesse adormeceu.

Continua Terça 29/01 e 31/01.

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