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Não foi um ano comum, essa é minha reflexão. Tudo mudou, saiu de lugar. Mudou até mesmo de posição. Dizem que a terra está fazendo isso, movendo-se lentamente para que em breve possamos ver o centro do universo. É como se fossemos olhar pela janela da casa de Deus. Resta saber se ele quer visita.

O ano está no fim e dentro de mim ficou a certeza de que fiz pouco, deveria ter feito muito mais. Andei por novos caminhos, aprendi lições valiosas sobre varias coisas. Sorri e chorei, lutei e perdi, lutei e venci com o gosto amargo na boca de que foi uma vitória sem prêmio. Em dados momentos cheguei a me senti culpada, mesmo por coisas as quais não posso controlar, nem mudar.

Havia muito a ser percorrido em doze meses. Revelações, pequenas e grandes decepções.Fui obrigada a andar devagar, minha mente renasceu das cinzas dela mesma, não como um pássaro, mas como a chama de um vulcão.

A Imaginação teve altos e baixos e senti-me dentro de um jarro de liquidificador em grande parte desse ano. Muito que fazer e pouca ou nenhuma disposição. Cansada de ser eu mesma, mudei de pele como uma cobra. E me senti mais confortável sabendo que não era responsável pelo fracasso ou o sucesso de ninguém. Eu só estava trilhando meu caminho.

Não tive grandes notícias e apenas sobrevivi a mim mesma e às intempéries ouvindo música e secando as lágrimas. Um ano para lembrar.

Descobri-me sozinha e por vezes mal acompanhada. Dentro do silêncio, dentro da turbulência de meus pensamentos. O caos estava dentro de mim e quase cheguei a ver uma explosão nuclear dentro das paisagens desérticas desse trecho do caminho.

Meus vampiros, meus amores, meus companheiros estiveram perto e longe. Dentro dos sonhos e pesadelos. Nas lágrimas feitas de sangue imortal. Os descobri com faces diferentes e dentro deles uma fonte inesgotável de mim mesma. Eu transbordei e sequei, catei conchas e pérolas. Escrevi quando tive vontade, produzi mais um mundo de fantasia. Afundei dentro de abismos e voei até o sol só para perceber que tudo tem seu oposto.

Provei a mim mesma que posso fazer qualquer coisa, desde que ela me dê prazer. Escrever é um prazer. Posso escrever vinte páginas dia, cinco ou nenhuma. Não me canibalizei, apenas deixei fluir na tela, em blocos, na palma da mão, dentro de minha mente. Palavras que não copiei, vozes que ignorei.

Comecei novos livros e guardei na prateleira para que amadureçam. Retomei velhos projetos, falei com pessoas, e me vi rodeada de muros invisíveis, de palavras de dois sentidos. Perdi e ganhei como numa mão de baralho. As distâncias ficaram maiores, as pessoas mais distantes, os amores impossíveis. Contudo, continuo me descobrindo sombria e ensolarada. Dois extremos.  Muitas em uma só, e a mesma menina de quinze anos, que escrevia no caderno de escola. Que se apaixona pelo romance que cria, e se decepciona quando o mocinho vira um sapo. Ninguém é perfeito.

Parei e vi auroras boreais, um sol ameaçador, a profecia dos Maias, a ciência e os mistérios humanos. Vida e morte, beleza e horror. Acordei chorando sem motivo, ri porque deu vontade e mandei o que não gosto a merda no melhor sentido da palavra.

O privilegio da maturidade é uma benção, principalmente quando você descobre que só pode contar consigo mesma e todo o resto é detalhe. Provei literalmente que posso fazer noventa e nove, e simplesmente não agradar porque não é cem. Repetitiva, dramática, imutável com todos os meus defeitos e erros todos vindos de fábrica. Sim, mas não sou a única. Que se dane “It’s my Live”!

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