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“O tempo leva tudo. O que você quer e o que não. O tempo leva tudo. O tempo arrasa tudo. E, no final, só resta a escuridão. Às vezes, encontramos outros nessa escuridão. E outras vezes, perdemos eles de novo”.

Stephen King

Essa frase me fez escrever esse texto.

Então um belo dia você descobre que esteve fazendo castelos de areia na beira do mar.

Os espelhos não mentem, a chuva molha e tudo parece mais denso como sangue. Os conselhos não funcionam mais e tudo que você quer é mandar toda a merda no ventilador.

Não restou nada, os amigos, as risadas. Você olha as fotos e sente falta do que odiava, das coisas, que te irritavam sem motivo. Bem, nem todas, algumas já foram tarde.

Então alguém diz: você poderia ser minha mãe. Maldito espelho! É, ele não tem culpa nenhuma. Foi você que não quis ver que as marés mudavam.

Os amores? Amores… É um pensamento conflituoso. Às vezes um bom referencial faz a diferença, e determina todos os outros. É, acontece. Você acha alguém tão especial, que todo o resto parece uma copia desbotada. Uma piada mal contada que não faz ninguém sorrir, nem chorar.

Amigos? Tudo muda, não é que dizem? Será que muda mesmo? Não sei dizer. A sensação mais frequente é de não pertencer a lugar algum, e não fazer falta alguma para ninguém. Ninguém liga, ninguém chama. O carteiro passa pelo outro lado da rua. Da aquela sensação de passado.

Foi uma galera no enterro do Comediante, dos Watchmen, foi bonito. Ninguém tinha nada de bom para lembrar-se dele, mas ele marcou a todos e a nenhum.

O sentimento que temos é de imortalidade. Os quinze demoram demais e os vinte parecem eternos.  Mais os trinta passam voando, como sua maldita juventude.

As musicas, os filmes, as séries, tudo que você gosta é feito de passado. O celular e moderno, mas dentro dele você guarda bandas, que ainda te fazem sentir jovem, eternamente jovem. Quando na verdade você é de outro século.

A nova geração é simplista e não gosta do passado, acha tudo fora de moda e só gosta de coisas que passem rápido. Eles sequer parecem entender o que foi o passado. Uma pena, assim ficam mais pobres para decifrar o enigma da vida.

É, a resposta está no passado. No ônibus que você não pegou, na festa que não foi. O beijo que não deu, o amor da adolescência que você não namorou. Não há um tributo heróico para os que não vivem. Eles são mortos vivos, para que se importar?

Os jovens não sabem que estão vivendo mais depressa que a antiga geração. Os quinze são os vinte, e os vinte são os trinta. Não haverá a caixa com as recordações, nem velhas fotos. Somente lâminas de DVD. Fotos digitais que sem bateria não servem para lembrar.

As fotos, elas dizem muito se você tiver coragem de olhar. Entende? Olhar fora da tempestade que parece ser toda sua vida. Um apocalipse do qual você nunca consegue escapar, nem matar todos os Zumbis, todos os monstros.

Não olhe debaixo da cama, existem monstros lá também, caixas com cartas, cartões, bilhetes de uma vida antiga onde você nunca é o personagem principal.

Vitórias? Algumas, mas seguidas de estranhos momentos onde você se perguntar: qual o preço? É, tudo tem um preço, inclusive a vitória.

Vai continuar chovendo, nevando. A vida é uma repetição de eventos os quais você pode assistir, ou interagir. O joystick está na sua mão, mas nesse jogo você só tem uma vida.

Tudo se desfaz com o tempo, até mesmo a dor. As lembranças ficam, mesmo não sendo boas. E chove, faz sol, neva, escurece.

A reflexão de hoje é, sobrou o mar.

Você pode fazer outro castelo, se tiver coragem suficiente, e a certeza que o mar pode o arrastar impiedosamente. Mas o que importa?

“Esforce-se para viver ou esforce-se para morrer!”

Stephen King

 

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