Antes e durante a Bienal recebi e-mails, recados no facebook e no twitter de fãs que me perguntavam se estaria no evento. Agora está chegando o Fantasticon. Pensei bem e respondi com o mais óbvio, minhas férias não coincidiram, um fato irrefutável! E patrão não adianta férias nem por “10 e uma cocada”, como se diz aqui em Natal-RN. Estava sem grana, putz! Fica feio dizer isso, mas é a verdade. Fui sincera, acho que é o melhor. O segundo motivo? Não tinha nada novo para lançar. Estou finalizando o primeiro volume da minha nova série: Pandora, Controle Sobrenatural.

Então hoje o escritor Eric Novello me mostrou o post do Santiago Nazarian, acho que vocês já devem ter ouvido falar dele. Jovem talentoso, bonito e sincero! Ele está lançando “Garotos Malditos,” fazendo uma turnê por alguns estados.

O que nos chamou a atenção no post do dia 17/08, foi a sinceridade.  Ele conseguiu sintetizar tudo.

Leiam o post  “Perjantaina, elokuuta 17, 2012 AO PARANÁ E ALÉM..

Antes de ler o meu post!!! Senão você não vai entender nada!

Detalhe, eu ainda não vivo de escrita, trabalho numa corretora de seguros, sou securitária. Tenho três longos horários para cumprir. Das 8:00 às 12:00, das 14:00 às 17:30. Com duas horas de intervalo para o almoço, que divido da seguinte forma: Trinta minutos para comer, trinta para tirar um cochilo e descansar minha vista. Das 13 até as 14 escrevo. Quando volto para casa começo o terceiro expediente, que começa as 19 horas e termina as 00:00. Não chego mais cedo porque o transito infeliz não me permite. Claro, escrevo no ônibus, leio, durmo, e tento não enlouquecer.

A primeira vez que fui a São Paulo, comprei as passagens em 3x sem juros, recebi patrocínio de amigos, da minha antiga chefe. Sim, eles pagaram meu táxi, a capa do meu livro Kara e Kmam, que saiu na época pela Editora Tarja. Hospedagem foi na casa do amigo Eric Novello.

Por volta do lançamento do Despertar do Vampiro em 2009, a Editora Aleph, por quem tenho o maior carinho e respeito, pagou minhas passagens e meu Táxi, valeu Editora Aleph! Hospedagem? Na casa do Eric Novello. Coitado, teve de me aturar! Claro, vendi livros e continuo vendendo.

Em 2010, se não estou enganada, fui ao Fantasticon como convidada e quem pagou minhas passagens foi a livraria  Moonshadows, eles foram fantásticos! Meu táxi eu mesmo paguei e novamente, inevitavelmente, fiquei na casa do Eric. Dessa vez ele me aturou por 28 dias, é um herói. Tudo deu certo, estava de férias e buscando um novo emprego e escrevendo A Rainha dos Vampiros, último livro da série. Essa é a vida de um escritor. Então se não me encontrarem nos eventos, por favor, se lembrem da minha rotina e que moro em Natal, Rio Grande do Norte. Vivo na cidade onde as pessoas passam suas férias.

Uma observação muito importante. Acreditem, recebi e-mails bastante agressivos, graças à minha falta de tempo, para julgar o trabalho alheio e fazer: prefácio, leitura de manuscritos de amigos, fãs e por ai vai.

Não mandem seus livros para o meu e-mail. Juro, eu não posso, e não tenho tempo de ler e dizer o que achei. Esse tipo de trabalho é feito por um profissional e de forma remunerada, acreditem. Quando recebo arquivos de livros, eles são deletados.

Não é pose, maldade com o sonho alheio, nem ser metida, ou boa demais. Procure um profissional da área para avaliar seu manuscrito.

Confesso, já fiz, mas não faço mais. Nem sempre as sugestões são bem interpretadas. Só lembrando que quem pede opinião recebe e pode não gostar a verdade.

Para manter minha rotina, passo meses sem ver os amigos que tenho em Natal, muito raramente vou ao Shopping, e falta tempo até para curtir minha família que vive na mesma casa que eu. No momento estou sem namorado, quando encontrar um ele vai ter de entender que a arte cobra um preço muito alto. Mas posso abrir uma ressalva para uns beijos, claro.

Tento ser educada, respondo e indico os profissionais, mas já tive de bloquear pessoas por isso. Jovens demais para entender e aceitar um “não” usaram de insultos no facebook.

Sem falar nas mensagens privadas no Facebook. Dia desse recebi uma mensagem de um escritor, que não conheço, que veio a Natal passeou, acredito bem mais que eu que vivo aqui. E saltou com o seguinte: “Não sabia que você era de Natal! Não conhecia ninguém pra me apresentar coisas legais do tipo por ai”.

Sério? Não sou guia turístico. Quando um fã conhecido meu vem na cidade e quer me conhecer pessoalmente, pegar um autografo, eu faço o possível para ir até ele, mas nem sempre consigo fazer isso. Claro, minha mãe fica preocupada e quer mandar um segurança comigo. Coisas de mãe, eu perdoo.

Também recebo esses convites, não me pergunte por quê? Meus livros ganharam alguns prêmios por aí, mas os organizadores do evento só divulgaram, nunca recebi seja lá o que fosse de papel, ou de latão. O melhor prêmio é um leitor escrever e dizer: adorei seu livro.

Ser escritor é acima de tudo um exercício de amor. De ter Tesão em escrever e esquecer o mundo girando lá fora, enquanto você está escrevendo sozinho numa sala.

É amor mesmo!Pelos meus livros, pelos meus fãs que não me deixam esmorecer e continuar lutando.  Gosto de responder e-mails de fãs, dou parabéns, amo todos vocês. Mas existem coisas que estão além do meu controle e poder. Esse post foi para explicar isso.

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