É um caso típico, o cinema me fez conhecer os livros. Passeando pelo youtube vendo trailers diversos me deparei com o filme “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, Stieg Larsson, estava realmente inspirado quando optou pelo título.

Assisti e a versão Sueca primeiro. Esse ano assisti a versão Americana. Gostei dos dois filmes, ambos tem excelente qualidade, o filme Sueco lida com o livro de forma mais lenta, o Americano tem aquele formato mais rápido e comercial. Fico com o filme de produção Americana como meu favorito somente pelos atores, Daniel Craig e Rooney Mara. Achei a química deles perfeita, sou suspeita para falar do Daniel.

Acabei ontem de ler o primeiro livro, levei vinte e dois dias lendo. Não porque seja cansativo ou desinteressante, é que trabalhar dois expedientes, escrever no terceiro e ler no quarto dá mais trabalho. Devorei lentamente saboreando. Foi um novo ponto de vista, cenas fortes, cronologia de datas, eventos, suspeitos.

Lisbeth é uma personagem misteriosa, forte, frágil, fechada em sua jaqueta de couro surrada que mais parece uma couraça de espinhos. Ela não admite que ninguém toque. Somente uns poucos afortunados têm o direito de tocá-la.

Você pode ser amigo dela, mas isso não quer dizer que ela será sua amiga. Um gênio, mente fotográfica, uma investigadora fria, exata, observadora em seu silencio ameaçador. Essa é Lisbeth Salander. Uma criatura magra, de estatura pequena, ar anoréxico. Tem vários piercings, usa maquiagem preta.

Esqueça completamente as mocinhas convencionais, Lisbeth é acima de tudo uma sobrevivente, alguém que aprendeu a lidar com a solidão, a violência, a dor, e a revolta transformando-as em vingança e força.

O começo do livro é um pouco mais lento, vale a pena ler e ver lentamente a vida dos dois personagens principais se cruzarem lentamente. Mikael Blomkvis é tão real, que acreditei estar lendo um livro “baseado em fatos reais”. Jornalista, sócio da revista Millennium, Mikael é contratado para tentar descobrir o que aconteceu com uma jovem da elite Sueca desaparecida, dada como morta há trinta e seis anos. O caso que parecia um beco sem saída, o passatempo de um velho se torna um jogo perigoso de mentiras escabrosas.

O livro tem cenas fortes, por duas vezes me afastei da leitura, por me sentir furiosa, revoltada, chocada com a índole dos homens que não amam as mulheres.

O livro não é um manifesto feminista, nem uma bandeira para a luta do direito das mulheres. É um livro bem construído sobre a busca pela verdade, seja ela qual for, doa a quem doer. Correndo o risco de errar, sinto que Stieg Larsson tentava chamar a atenção das pessoas para a violência contra a mulher na Suécia e seus direitos.

Pesquisando sobre os livros descobri que Stieg Larsson morreu em 2004 de um ataque cardíaco, e não chegou a ver o primeiro livro publicado. Existe um mistério pairando sobre o que seria o quarto e quinto livro da série. Alguns afirmam que eles estão em poder da esposa do escritor, Eva Gabrielsson, que viveu por mais de 30 anos com Stieg, mas que pela lei Sueca não é considerada herdeira do escritor. Descobri tais fatos numa reportagem no site da Livraria da Folha de 14/10/2010. Depois disso cancelei minha viagem ao país. (brincadeirinha).

Resumindo, se você gosta de assuntos mais leves, não leia os livros. Contudo, se você for um daqueles leitores ávidos que gosta de uma boa investigação e não te medo de ver o lado sombrio das pessoas, comece hoje mesmo. Mas leia primeiro os livros, depois veja os filmes.

Beijos mordidos!

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