Para comemorar o dia dos namorados, um pequeno conto com Jan e Kara. Espero que gostem e feliz dia dos namorados.

Eterno

As mãos de Jan Kmam deslizavam sobre a seda do roupão de Kara. Eles estavam na sacada observando a noite. Há seis meses havia saído de São Luís para passar uma temporada na Itália. Kara pensou em Veneza, mas achou inapropriado. A cidade lembrava demais Ariel Simon tanto a ela quanto a Jan. Então decidiram compra uma propriedade situada na península de Porto Raphael, Punta Sardegna. Da varanda é possível admirar o golfo e as Ilhas da Maddalena. Piscina de água salgada, jardim amplo e terraços.

Se pudessem desfrutar dos dias ensolarados certamente estaria bronzeados como a maioria dos habitantes locais. O lugar era maravilhoso e ate grande demais para um casal. Mas como frequentemente estavam recebendo visitas, a casa era perfeita. Naquela noite estavam com eles Misha, Marie, Valdes e Bruce. Misha e Marie estavam juntos e parecia que o romance deles progredia lentamente. Martan estava ausente e isso deixava Bruce melancolico, o que fez Kara o convidar para passar uma temporada com eles na Itália.

Jan e eles jogavam por horas, isso quando ele não estava às voltas com o jardim da mansão. A casa era decorada de forma moderna com toques clássicos. Havia objetos de arte e belos quadros, a biblioteca era um recanto tranquilo com as portas viradas para o jardim, também havia uma sala de musica, um estúdio onde treinavam. Paredes claras, cortinas leves e pesadas. À noite quando não estava com Kara em seus braços, costumava ficar lendo ou conversando com Bruce. Mas o jardim era sua maior paixão, comprou rosas e plantou. Kara o observava da sacada envolvido com os canteiros, cavando, plantando, cuidando completamente concentrado.

Naquela noite, após uma rodada de cartas Jan e Kara se recolheram deixando seus convidados. Juntos na sacada observavam a luz, o ar à distância. Jan Kmam havia mando instalar um sistema de câmeras para garantir a segurança e ver como o sol banhava o jardim. Para muitos vampiros era uma visão atemorizante, mas não para ele que via beleza ate mesmo na luz, que poderia destruir sua vida imortal, era magnífico.

Jan Kmam salpicava a pele pálida da vampira com pequenos beijos. Quando a excitação chegou ao limite a ergueu nos braços rumo a cama. Enquanto Kara gargalhava, afinal lhe fazia cócegas. Assim que sentiu os lençóis em suas costas o beijou longamente. Livre de seus lábios macios o vampiro a olhou e falou com a voz cheia de desejo:

– O que ma petite poupée deseja?

– Amor… – ela respondeu dona de seus lábios.

No quarto só havia o som distante do mar, de sussurros, gemidos da conversa que mantinha depois de se amarem. Jan lia poemas em voz sussurrante em francês seduzindo a vampira, que sorria e tentava lhe tomar o livro das mãos. As horas passavam lentas e entre um cálice e outro de sangue pensavam em como estavam felizes.

Jan Kmam beijava o dorso da vampira, quando ela fitava a lua e o mar além da janela. Pensava nos convidados nos demais quartos da mansão.

– Não se preocupe estão bem alojados, somos bons anfitriões. – disse lendo seus pensamentos estavam totalmente abertos para ele, pelo menos naquele momento, nem sempre deixava que ele sondasse sua mente.

Estava preocupada com Ariel Simon, partiu sem escolta para buscar uma vampira que sequer sabia se ainda estava viva. Togo ligou duas vezes para ela e comentou que Ariel não dava notícias há duas noites. Foi necessário que ela ligasse para que ele atendesse. Após lhe dar uma bronca pediu que ligasse para Togo. O rei não gostou, mas a atendeu.

O freezer está cheio. – afirmou desejando um cálice de sangue com vinho.

Ainda faminta?

– Somente por seus beijos…

Kara se virou e envolveu Jan nos braços, o empurrava gentilmente para enlaçar seu corpo forte com as pernas delicadas, mas fortes. O cobria com beijos que iam da boca aos olhos. Cheirou seus cabelos já sobre seu corpo e sussurrava junto aos seus lábios. Sentindo o corpo se tencionar e responder de imediato a carícia de seus dedos habilidosos sobre seu sexo. Ela o desejava com urgência. A doçura de carinhos e carícias tomaram o vampiro uma labareda de desejo. Era impossível não sucumbir, quase desfalecer sob seu poder de fêmea e vampira. Tocava sua pele macia e a beijava tentando aplacar uma fome eterna. O conduzia lenta e vigorosamente roubando-lhe o ar, o juízo, beijos. As unhas dela deslizavam sobre seu peito forte e liso num jogo cruel e excitante. Gemia e murmurava sobre sua pele, enquanto o prendia sob seu corpo. E quando o gozo chegou deixou que os tomasse completamente. Não o mordeu, apenas deixou-se ficar ali saboreando o prazer do sexo como se fosse uma mortal ainda. Arfante deixou-se cair sobre o peito de Jan Kmam e ele a envolveu com os braços. Ajeitando-a sobre si, tocando-lhe a cintura com a ponta dos dedos. Enquanto as ondas de prazer a sacudiam levemente. Ela parecia ronronar sob seu toque como uma gatinha. A cascata de seus cabelos cobriu sua face, a boca cobria a dele com sorrisos e beijos.

– Sabe que sou seu, não é mesmo?

– Sim, cada pedacinho. – murmurou ela mordiscando-lhe de modo brincalhão o queixo forte.

– Malvada…

– Venha. – convidou Kara o puxando pela mão rumo à porta da sacada.

– Minha vida, você percebeu que estamos nus?

– Sim, mas lembre-se não temos roupas de banho. – a vampira falou risonha.

Desceram pelo jardim através de uma trilha e logo estavam com os pés na areia escura, e com poucos passos puderam sentir as ondas batendo contra eles, em seus corpos. Entraram no mar azul turquesa sentindo as ondas mornas banharem seus corpos. Nadaram juntos por longos minutos, trocando beijos e carícias. Abraçados deixando as ondas leves balançarem seus copos, enquanto a lua os banhava. E podiam ver a casa iluminada no horizonte. Kara deixou-se boiar, enquanto Jan a tocava e sorria.

–Feliz dia dos namorados. – sussurrou Kara junto tocando sua orelha com os lábios frios.

–Já? Eu não comprei nada para lhe dar…

Kara sorriu e o silenciou com um beijou e apertou junto ao peito, enquanto ele retribuía apertando-a junto a si. Colou seu rosto ao dele e deixou os dedos tocarem seus ombros largos, fortes.

– Ter você me basta, mas é claro que se você me desse uma rosa, eu não me importaria. – brincou ela deslizando o dedo sobre seu nariz.

– Posso lhe dar uma rosa, mas não sei se somos namorados.

– Como assim? – ela perguntou arregalando os olhos, vendo os seus sorrirem na luz azul, que a lua cheia jogava sobre a terra e o mar mais docemente.

– Nosso amor extrapolou os conceitos mais básicos. Somos quase um só corpo, um sentimento, um desejo. A palavra “namorados” se torna obsoleta em nosso caso.

– É mesmo? – ela murmurou pensativa. – Então vou dar o presente que lhe comprei para Bruce, acho que vai ficar melhor nele.

– Ninguém disse que não podemos trocar presentes, não é mesmo?

Jan Kmam afirmou malicioso. Kara gargalhou e jogou a cabeça para trás. O vampiro aproveitou para beijar o pescoço. Voltaram para a praia e logo estavam sob a ducha num banho quente retirando o sal da pele. Kara saiu primeiro e vestiu um roupão de seda oriental e o esperou no quarto, com um presente nas mãos. Uma caixa quadrada com um laço azul envolvendo-a, um sorriso maroto nos lábios.

– Eu falei sério má petite, não comprei nada para você, não me lembrava da data. – ele falou abraçando-a e beijando, enquanto recebia a caixa.

Desfez o laço e quando retirou a tampa se deparou com papel fino sobre uma jaqueta de couro negra, Armani. Seus olhos brilharam em uma clara demonstração de prazer. Ele a provou e diante do espelho observou o caimento. As mãos de Kara a arrumando sobre seus ombros.

– Perfeita, adorei minha querida. – falou beijando as mãos da vampira.

– Vou pegar vinho para nós dois. – avisou saindo do quarto.

A vampira encontrou Bruce e Valdes na cozinha. Ela havia deixado a garrafa de vinho sobre o balcão em temperatura ambiente. Os vampiros a prenderam por longos dez minutos reclamavam de Martan, que estava sem lhe dar notícias há quase cinco meses. Misha e Marie estava caminhando pela praia. A conversa foi regada a vinho e sangue. Bruce estava triste, mas não se deixava abater.  Quando ela voltou ao quarto, as luzes estavam apagadas e velas o iluminavam. Haviam rosas pelo chão, sobre a cama, as cortinas balançavam suavemente.

Ela deixou a garrafa e os copos sobre a mesinha próxima e foi até um retângulo de papel sobre o travesseiro.

“– Fique diante do espelho e tire o roupão e me espere de olhos fechados.”

Pensou um segundo e fez o que ele pediu. A primeira coisa que sentiu foi à carícia da corrente se ouro pousar sobre suas costas.

– Não, não abra os olhos. Ainda não. – sussurrou junto ao seu ouvido.

– Jan…

– Quietinha.

O objeto tocava sua pele nua numa caricia fria, até alcançar seu colo, os seios, por fim foi preso em volta de seu pescoço. Ao prender o fecho, Jan o beijou tocando-lhe a pele sensível e nua dos ombros.

– Pode abrir agora minha pequena.

Kara abriu os olhos e encontrou sobre o peito um coração de ouro e prata. Percebeu que ele se abria, seus dedos tocaram a imagem de Jan Kmam ali presa e a tocou com a ponta do dedo. Sorriu e o abraçou.

–Viu só? Te vesti de amor.

– É lindo Jan.

– Achou mesmo que esqueceria?Jamais. – falou Jan fitando-a pelo espelho.

Os dedos da vampira deslizaram sobre o relicário em seu peito e sorriu, enquanto o beijava, e envolvia com os braços.

– Agora vamos, quero te dar uma rosa… Murmurou deslizando uma por sobre sua pele nua.

– Acho que quero mais que uma rosa agora. – brincou ela seduzida por seu olhar azul.

– Não se preocupe estou preparado. – dizendo isso ele puxou um cordão preso ao lustre sobre eles. Imediatamente foram cobertos por pétalas de rosas vermelhas. – Feliz dia dos Namorados Kara.

– Feliz dia dos Namorados Jan. – murmurou enquanto trocavam um beijo apaixonado.

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