Enquanto eu crescia e tomava consciência do mundo a minha volta, e tentava ganhar meu espaço, ouvi minha mãe falar sobre minha gestação. Sou sua terceira filha, a mais nova, o que chamam a caçula entre minhas duas irmãs mais velhas. Ela falava da barriga, dos desejos que sentiu, dos sonhos que teve. E de certo modo me descobri em todos eles.

Até hoje gosto de uvas, não das verdes, e adoro ficar acordada até tarde. Segundo ela, durante a gravidez ela teve muita insônia. Diz que pareço muito com minha avó materna, já falecida. Que quando nasci era vermelha, uma criança grande e que as enfermeiras já me trouxeram penteada, pois nasci com uma vasta cabeleira.

Pode parecer bobagem ou crendice, mas são as particularidades que me ajudaram a compreender o mundo de sensações que dividíamos, enquanto estivemos juntas em carne e sangue.Por meses ela acreditou está grávida de um menino, porque sonhava que dava a luz a um bebê de olhos e cabelos negros.

Então quando eu nasci fui um pouco da surpresa e talvez da decepção, mas isso jamais ficou aparente, porque ela me ama da mesma forma. Do seu amor jamais duvido, é a coisa mais certa que pode existir, o amor de uma mãe pelos seus filhos. Amor esse que ela me passou enquanto crescia e através dela conhecia o mundo.

Foi ela quem me apresentou aos livros, aos filmes, a música clássica, a mitos gregos, as pequenas e grandes coisas. Puxou-me a orelha quando mereci e me elogiou quando fiz por merecer. Foi ela a minha primeira leitora, e por mais suspeito que isso possa parecer, ela gostou do meu livro e no dia seguinte foi comigo comprar uma resma de papel para que eu pudesse datilografar a minha primeira obra literária.

Tive e tenho muita sorte de tê-la como mãe, e apesar de algumas diferenças de opinião, que são absolutamente normais, ela é minha melhor amiga.

A que escuta minhas alegrias e tristezas, minhas vitorias e esperanças, a que ajudou a colar meu coração quebrado quando o amor me feriu. É, ela que aposta sempre nas minhas vitorias, a pessoa que tanto me deu sem nada pedir. Foi ela, a pessoa que me disse para ter paciência e fé, quando pensava em desistir e abandonava meus sonhos. Ela me fez acreditar quando não havia nada no horizonte além de nuvens.

Foi para ela que dediquei todos eles, minha amiga, minha cúmplice, minha mãe.

“A árvore forte e sombreada que sempre me acolhe junto a si”.

Beijos Mordidos!

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