Depois da imortalidade, o futuro é minha maior fonte de curiosidade. Saber o que virá, buscar opções e saídas. Ao mesmo tempo saber o futuro implicaria na tomada de decisões. A humanidade mudaria? Saber o que virá nos tornaria menos destrutivos, mais conscientes? Não da para saber num mundo onde as opiniões variam. Como convencer a população do mundo a mudar hábitos, reciclar o lixo, respeitar o próximo, poupar água, não poluir, não matar?

Deus não conseguiu, as leis que escreveu são claras, mas não tocam a todos. O livre arbítrio é uma faca de dois gumes.

Não sei qual é o meu futuro. Isso gera insegurança, porque sinceramente não sou tola para planejar o futuro. Tudo que podemos fazer é tomar medidas para fazer dele algo melhor.

O texto não é uma paranóia de fim de mundo. Já que estamos em 2012 e existem profecias que afirmam que nesse ano, existe a probabilidade do planeta passar por alguns eventos fora do nosso controle. Mas o que há de novo? Estamos aqui a mercê da chuva e do vento, nós não estamos no controle. Se estivéssemos não haveria morte, guerras, não é mesmo?

Ninguém sabe o futuro.

Anos atrás quando trabalhava em minha máquina de escreve não imaginava ter um computador, sequer sonhava com isso. Não por não me achar merecedora ou capaz de conseguir. O problema é que o mundo era diferente, a tecnologia estava caminhando para o que temos hoje.

Então nos dias atuais, enquanto limpava minha estante de livros percebi algo que me deixou por alguns minutos pensando no caminho.

Lancei cinco livros, um deles lancei três vezes, participo de quatro livros de contos. O passado me trouxe ate aqui. Lembrei dos meus antigos desejos, eu só queria editar meu livro, não imaginei que iria tão longe. Olhar para eles hoje é um pouco estranho, mas a maior sensação é que cumpri uma etapa do caminho, mas ainda falta muita coisa.

Sento-me para escrever e me pergunto quantos mais? Há ideias anotadas em cadernos, livros começados. Imagens na cabeça, o tempo segue seu ritmo, enquanto as desenvolvo. Não sou imortal, não sei o futuro.

Dias e noites se repetem, enquanto me sento aqui e deixo as histórias me tocarem, invadir meu imaginário, encontrarem o papel. Mais uma aventura, mais um mundo onde posso viver sem medo do futuro, com a tola sensação de que sou imortal.

O escritor é uma criatura esperançosa, mas ao mesmo tempo boba, um fabricante de sonhos para hoje, amanhã e depois. Eles não sabem o futuro e só suas palavras, se forem boas, se tornarão imortais.

Beijos mordidos!

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