Você trocaria de corpo com alguém? Sei lá, com alguém mais forte? Mais bonito, imortal e poderoso…? Bem, se você pensou nessas alternativas, então você com certeza trocaria. O que faz essa coisa ser tão interessante, é que, quem troca acredita que está fazendo um bom negócio. Pessoalmente eu faria a experiência, mas vou deixar meus motivos em segredo.

A pergunta rondou minha cabeça por duas semanas, que foi o tempo que levei lendo o livro The tale of the Body Thief”, O Ladrão de Corpos, de Anne Rice. A Imagine Entertainmet de Ron Howard comprou os direitos dos livros em parceria com a Reliance Big Entertainment. O roteiro vai ser escrito por Lee Patterson. Alex Kurtzman e Roberto Orci estão entre os produtores. Vamos ver no que vai dar.

Quando li Entrevista com o Vampiro, encontrei respostas para muitas das coisas que pensava, sonhava e acreditava serem reais. Anos depois li o vampiro Lestat em três dias, o livro me foi emprestado e tinha de ler rápido, mas a história ficou em mim, em meus poros. Depois disso li outros livros e me prometi ler todos os outros escritos por Anne Rice, então estou no meio do caminho. Anne Rice  é uma das minhas escritoras favoritas. Tenho colecionado matérias de jornais sobre seus livros, sua vida e lamentei profundamente não ter podido vê-la na última bienal.

O Ladrão de Corpos, é narrado por Lestat o que por si só já é um presente, adoro o modo como ele transmite a história, sua mente fervilhante e cheia de conceitos extremamente livres e completamente aceitais e condenáveis me fascina.

Não posso imaginar com fidelidade de detalhes e sensações o que seriam dois ou três séculos vivendo na escuridão da noite, sem comer, sem sexo. Verdadeiramente desconheço o peso de tal expectativa para alguém imortal, belo e poderoso que pode atravessar o mundo em minutos sem pegar um avião, sem se limitar a tudo que nos prende, sem envelhecer. Poxa!Lestat estava entediado, nê? Só assim para fazer uma besteira como essa. Beleza foi uma grande aventura. Só sei que jamais trocaria meu corpo imortal com alguém, principalmente um mortal, para aproveitar algumas horas de sol, o prazer do sexo…?Hum…Sexo. Deixa para lá!

Lestat foi feito para ser um belo transgressor aquele que vai além por que ele assim deseja. Ele pode e faz o que nenhum outro imortal sonha fazer, mesmo que isso represente sua aniquilação, revelar os outros colocar seu belo e loiro corpo em perigo. É, Lestat é o cara! O desbravador curioso e corajoso.

O que me chocou no livro foi à atitude de Louis. Leiam e descubram o que ele fez, e se perguntem se ele mereceu o perdão posterior de Lestat.

O livro nos leva ao limite da vida de um mortal para percebemos sem rodeios o quanto somos frágeis e limitados. Juro que senti a frustração dele quando afirmou sentir dificuldade visual. A visão de um imortal é sem dúvida nenhuma o dom que realmente invejo.

Lestat faz a troca, toma medidas de segurança, contudo não existe seguro para cobrir troca de corpos, vale salientar. Então tudo começa a ruir, não lentamente, rapidamente. Doente, fraco, sem dinheiro, e finalmente a beira da morte. Apaixona-se, em minha opinião, por uma enfermeira efreira, é como se fosse um teste, algo pelo qual ambos tinha de passar e tentar sair ilesos, mas isso é impossível, de qualquer modo ele vive momentos de sexo e carinho, ela é bela porque é mortal e isso dói para um vampiro no corpo de um mortal. A fatalidade das coisas, a confusão de sentimentos, a expectativa, ser tudo e depois não ser mais nada são lições dolorosas e que nos fazem valorizar cada minuto das horas que passamos vivos.

A solução só aparece quando David Talbot, líder da Talamasca, encontra Lestat, ele se torna a luz no fim do túnel e respiramos aliviados com sua presença inglesa e organizada, fria e exata. David é um personagem doce, sensual, mas controladamente apaixonado por Lestat, entretanto para salvá-lo ele colocar sua própria vida em jogo.

O final é surpreendente, Lestat superou minhas expectativas, ou seria Anne Rice. Era isso que esperava, que eles me chocassem. Fizessem-me odiá-lo e amá-lo um pouco mais por fazer tudo que faria se fosse imortal.

Ler é provar daquilo que não temos a exata coragem para realizar, ou apenas acreditamos não ser capazes.

Anúncios