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Não é novidade falar de Neil Gaiman e afirmar que ele é genial, que seus livros e contos são bons. Apesar das opiniões já formadas e do nome consagrado vou me ariscar a falar de um dos seus livros. Não minto, é o primeiro que leio. Mas já conhecia suas obras através de resenhas, comentários e de filmes como Stardust e Caroline.

Para lê-lo primeiro me livrei da impressão de que ele é bom e por isso você tem de gostar, segundo, ler e se divertir, sem deixar sua mente se transportar para a tela do cinema. Por quê?

Quando se vê o filme antes de ler o livro se tem a tendência a ficar com as imagens do filme e não as do livro. Pelo menos em alguns casos.

Comigo aconteceu isso ao ver e ler o “Senhor dos Anéis”… Mas isso é outra resenha, voltemos ao Neil, veja só, já fiquei intima. Ganhei o livro de um grande amigo, Eric Novello, o presente ficou na pilha por um ano, enquanto ele puxava minhas orelhas: Já leu? Eu estava entre o Alma 3 e 4, complicado ler. De qualquer modo, na última segunda-feira segurei na mão do Neil e deixei que ele me levasse pelo seu mundo.

O livro de contos “Fumaça e Espelhos – Contos e Ilusões” me surpreendeu logo no primeiro conto ele mexeu com minha cabeça do jeito certo, vários cliques foram acionados e comecei a entender parte da escrita do Neil.

Não vá pensando que é uma leitura fácil, você vai ter de pensar e fazer suas próprias conjecturas, ir além ou junto com o personagem, ou simplesmente aceitar o que ele fez, e é.

Ri e chorei lendo a “Cavalaria” e “O Lago dos Peixes Dourados e Outras Historias”, me identifiquei, talvez porque tenho e tive o prazer de conviver com idosos. Há uma sensibilidade única nesses dois contos. Quase palpável inocente e simples. “O preço” me deixou inconformada, curiosa e pronta para mais, quando o conto chegou ao fim, remexi o livro me perguntando se haveria continuação, em minha opinião, merecia. “A Ponte do Troll” é um conto para ler e reler sem pressa e compreender, que a vida passa bem depressa e deve ser bem vivida. “A Rainha das Facas” me deixou pensando por muito tempo em como as relações humanas são delícias e complexas e tão fáceis de desaparecer. “A Filha das Corujas” me deixou com aquela frase na cabeça: Bem feito!

Estou falando dos contos que mais gostei, ok? Nessa lista incluo ainda “Procurando a Garota”, esse tipo de visão todo artista tem, mas geralmente mantemos em segredo porque se revelarmos ninguém vai acreditar. “Arremate por Atacado” eu li pela primeira vez sabendo o final, porque de um modo extremamente cruel conheço a maldade humana. (estou rindo dessa sentença). “Apenas o Fim do Mundo Novamente” é uma historia de lobisomem como poucas que se vê por ai. Tem a dose certa de violência e fantasia exatas para misturar a realidade com o brilho da lua sobre o mar. “O Varredor de Sonhos”, “ A Sestina do Vampiro” é poético. O “Camundongo”, olha eu já passei por algo semelhante e me identifiquei demais com o assunto, matar não está na minha natureza, pelo menos por enquanto. “Gostos” é surpreendente, mas se você estiver atento vai perceber que é possível roubar as lembranças alheias e com elas se deleitar. “Bolinhos de Bebê” é assustador e tão real que precisamos de um tempo para compreender, que o escritor apenas brincou com a realidade e nos fez vê-la por outra ótica. O último conto, bem poderia ser a historia real de um conto de fadas. Fico me perguntando se os irmãos Grimm concordariam com essa versão para adultos.

Foi uma boa experiência, em dados momentos me lembrei do fascínio que Stephen King consegue jogar sobre quem lê seus textos. Neil Gaiman fez o mesmo, conseguiu unir a fantasia, terror e a realidade com sutileza. Já coloquei na minha lista de compras “Sandman” e “Stardust”, quero ler o que vi e tirar minhas próprias conclusões.

Beijos mordidos

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