Puxo a caneta e o caderno e sinto as palavras fluindo, as idéias chegando, lembro dos sonhos que tive, volto nas palavras chaves que anotei. Logo a folha está cheia, o meu celular joga música em meus ouvidos, como se fosse apenas o barco que me leva além. Tudo a minha volta some e estou com os pés literalmente na fantasia.

Posso ver todos eles como se estivesse, num plano maior, vozes e sussurros. Eles passam por mim que pareço vê-lo em planos diferentes. Basta escolher quem seguir e assistir.

Kara. Ela está andando sozinha pela rua e eu a sigo onisciente, onipresente. Sua luta, seus desejos, sua dor e tristeza, eu posso sentir tudo.

A mão se move depressa, a letra muda, rápido para não perder os detalhes. A música muda aos meus ouvidos e sinto meu ritmo mudar. Escrevi três linhas antes do dialogo. Antecipei-me. Volto marco com números e letras, para não me perder.

Jan Kmam começa a falar e eu escuto sua voz aborrecida. Ao longe o sorriso de Ariel. Consuelo está tramando… Calma, estou vendo muito depressa, devagar se não perco a continuidade.

Olho para as janelas e preciso descer do ônibus, guardo a caneta apressada, fecho o caderno e me sinto tonta, sai depressa demais.

Desço em minha parada e continuo andando pensando na cena. Estou dentro do Rainha dos vampiros e a sensação que tenho é que até o meio do livro muita coisa vai mudar.

Beijos mordidos.

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